Rio, 11 (AE) - O Ministério Público Federal (MPF) concedeu hoje mais 30 dias para que Polícia Federal (PF) conclua o inquérito que investiga o grampo telefônico feito no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) durante o processo de privatização da Telebrás. O delegado Rubens Grandini
que preside a investigação, porém, já antecipou a procuradores que acompanham o caso que espera concluir o trabalho em, no máximo, dez dias - se não surgir nenhum fato novo que leve a novos depoimentos, diligências e perícias. O novo prazo começou a contar hoje.
Até a próxima semana, a PF espera receber os resultados de algumas perícias fundamentais para a elaboração do relatório final do inquérito. Uma está sendo feita em um computador apreendido na residência do engenheiro Nelsino Drozczak da Silva
acusado pelo ex-policial federal Célio Areas da Rocha de ser "sócio" do funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson de Resende, o Telmo, apontado como principal suspeito de fazer a interceptação telefônica ilegal no BNDES. O engenheiro negou tudo em depoimento à PF, na terça-feira da semana passada.
Outro laudo que a PF aguarda é o do rastreamento de telefones que eram usados por João Guilherme Maia, que chefiava o escritório da Abin no Rio até o mês passado, quando foi afastado do cargo. Os extratos referem-se a telefonemas dados e recebidos desde a época do leilão da Telebras (julho de 1998). Fontes com acesso às investigações revelaram que a PF quer saber o grau de relacionamento entre Maia e seu ex-subordinado Telmo. Em depoimento, o ex-chefe da Abin no Rio afirmou que tinha com o agente um relacionamento meramente profissional e que não mantinham ligações estreitas.
A PF continua procurando, para depoimento, o ex-técnico em telefonia Walter Braga, suspeito de ter instalado o grampo no BNDES. Os policiais querem que Braga aponte quem o contratou. Até o fim da tarde, ele não fora encontrado.

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