A Polícia Federal (PF) deteve ontem quatro sindicalistas que apoiavam a ocupação de terras da Aracruz Celulose, feita por índios tupiniquins e guaranis em Aracruz, no norte do Espírito Santo, há dez dias. Eles foram parados em uma das barreiras da PF, que impede o acesso à reserva e à área disputada desde a quarta-feira, quando 50 policiais federais retiraram da área invadida todas as pessoas que não pertencessem às aldeias.
Os diretores do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação João Maria da Conceição, Nilson Alves Malaquias e Francisco Ribeiro de Paula e o diretor do Sindicato dos Vigilantes Márcio Antônio Barbosa de Souza prestaram depoimento na Superintendência da PF, em Cariacica, região metropolitana da Grande Vitória. Os três primeiros contaram ter sido chamados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) para apoiar os índios e Barbosa afirmou ter se engajado de livre vontade.
A assessoria de comunicação da PF informou que, apesar da tomada de depoimentos, por enquanto não foi montado inquérito policial para apurar o apoio que os índios estão recebendo para expandir sua reserva. Apesar de o acesso às aldeias tupiniquins e guaranis estar fechado, uma comissão de entidades aliadas dos índios conseguiu entrar ontem à tarde na reserva, com a autorização da PF. A comissão era chefiada pelos deputados estaduais Brice Bragatto e José Otávio Baiôco, do PT.
Na quarta-feira a PF deteve o holandês Winfridus Overbeek, missionário do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que deve deixar o País em seis dias. O assessor jurídico do conselho em Brasília, Cláudio Beirão, afirmou que o ato de expulsão foi irregular. ‘‘Não houve fundamentação para a redução do visto’’, afirmou Beirão. A PF justificou o ato informando que ele instigou os índios a ocuparem as terras da empresa e, portanto, intrometeu-se em assunto político interno, ato proibido a estrangeiro com visto temporário.

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