PF faz operação contra pedofilia
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2006
Vannildo Mendes<br>Agência Estado 
Brasília- A Polícia Federal realizou ontem buscas em São Paulo e mais dez Estados para desmantelar uma poderosa rede internacional de pedofilia (exploração sexual de crianças) pela internet, um dos crimes que mais crescem no Brasil e no mundo. A operação, batizada de Azahar, foi realizada simultaneamente em outros 24 países e os resultados serão divulgados sexta-feira pelo governo espanhol, que comandou as ações, com a ajuda da Interpol e dos demais governos. No Rio, a operação terminou com a morte de um jovem de 17 anos, que se jogou do sexto andar ao perceber a chegada de agentes da PF.
Dado pelos espanhóis, o nome Azahar significa, em árabe, flor de laranjeira, que na cultura muçulmana simboliza a pureza da virgem. Nenhum país relacionado na prática de pedofilia é de domínio muçulmano. Em contrapartida, sobram nações ocidentais, sobretudo da Europa e das Américas. Somente nos Estados Unidos, onde funciona uma das maiores redes de pedofilia do mundo e na América do Sul, sobretudo Brasil e Argentina, a operação atingiu 130 alvos suspeitos de exploração sexual de crianças e adolescentes pela internet.
No Brasil, a pedofilia foi gravemente amplificada com a facilidade de difusão impune via internet. Os vídeos, filmes e materiais apreendidos envolvem na maior parte menores aliciados para a prática de sexo pervertido. Mas incluem cenas chocantes, como bebês de até seis meses sendo violentados por adultos. Há até mulheres violentando crianças ou participando como co-autores de vídeos pornográficos. ''São cenas abjetas, indescritíveis. Fico com o estômago embrulhado toda vez que vejo essas imagens'', disse o experiente delegado Adauto Almeida Martins, que comanda a divisão de crimes cibernéticos da PF.
Chamam a atenção também a amplitude do problema e a diversidade de perfil dos criminosos. ''A pedofilia cresce assustadoramente em todas as classes sociais do País, sem distinção de gênero, cor ou religião'', constatou Adauto, que defende uma tomada de posição urgente das instituições e autoridades constituídas do País. As leis são frágeis e insuficientes e a capacidade de fiscalização do Estado é muito fraca.
As investigações começaram em 2005, depois que a polícia espanhola notificou as autoridades brasileiras sobre a existência de um grupo de pessoas que trocam imagens pornográficas de menores, um crime previsto no Estado da Criança e do Adolescente.
No Paraná, foi cumprido um mandado de busca e apreensão. Em uma residência no bairro Ahú, em Curitiba. Foram apreendidos computadores, disquetes, fitas VHS e CDs. O material será submetido a perícia.


