Londrina - Após seis meses de investigação, a Polícia Federal de Londrina desbaratou ontem uma quadrilha especializada em falsificar cartuchos, toners de impressoras. Um homem foi preso. Segundo o delegado Elvis Secco, foi recolhido material falsificado suficiente para encher quatro caminhões. A carga foi encaminhada para a Receita Federal. De acordo com estimativa da PF, a quadrilha faturava R$ 1 milhão por mês e, inclusive, participava de licitações de compras do governo federal, abastecendo órgãos como o Tribunal Regional do Trabalho e a Fundação Nacional de Saúde.
O flagrante ocorreu em um barracão industrial no Jardim Marisol (zona leste), onde os agentes encontraram um grande volume de produtos de marcas conhecidas no mercado. A operação prosseguiu e foi recolhida farta documentação em um endereço residencial e em dois escritórios de contabilidade.
Conforme o delegado, a quadrilha mantinha quatro empresas de fachada para participar das concorrências públicas, normalmente em estados do Norte e Nordeste. Segundo Secco, as empresas de fachada não tinham qualquer base física, embora a documentação apontasse que elas eram de Londrina. ''As investigações vão prosseguir. Acreditamos que a quadrilha tenha entre seis e dez integrantes.''
Os agentes que participaram das investigações têm convicção que o homem preso ontem era integrante de outra quadrilha desbaratada nas mesmas circunstâncias no ano passado, quando também foi apreendido farto material em uma casa no Jardim Alto da Colina (zona oeste).
O delegado acredita que as investigações apontarão outras práticas criminosas da quadrilha, como fraude em licitação, sonegação fiscal, contrabando e lavagem de dinheiro, além da violação de direitos autorais.
De acordo com o advogado Rodolpho Ramazzini, diretor de comunicação da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), a participação de empresas que falsificam produtos em concorrência públicas ''não é incomum''. ''É muito simples combater esse tipo de prática. Basta que a legislação preveja que o comprador público seja obrigado a checar com a indústria se realmente ocorreu a venda do produto para a empresa participante da concorrência.''
Ramazini acredita que o órgão público deve estabelecer um protocolo de controle mais rígido nos casos de pregão eletrônico, modalidade que se popularizou nas compras públicas. O advogado também criticou o baixo número de fiscais nos portos, nos aeroportos e nas fronteiras. Ele lembrou que a falsificação de produtos industrializados significa um prejuízo anual de cerca de R$ 40 bilhões ao País.

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