Rio, 30 (AE) - O delegado Marcelo Duval, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), encaminhou hoje à Interpol espanhola o pedido de prisão de Luís César Pereira, irmão do coronel da Aeronáutica, Paulo Sérgio Pereira, suspeito de envolvimento no uso de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para o tráfico de drogas. O coronel, preso em uma base militar no Recife, admitiu ter entregue as duas malas contendo 32,9 quilos de cocaína para serem embarcadas em um avião da FAB que seguiria para a Europa. Ele, porém, nega que tivesse conhecimento do conteúdo.
O irmão do oficial da Aeronáutica seria um dos receptadores da droga, que, pelo plano da quadrilha, deveria ser desembarcada na cidade de Las Palmas, nas Ilhas Canárias. Além de Luís César, a polícia procura ainda Roberto Monteiro Zau, que seria o segundo destinatário da droga. Ambos estão foragidos na Espanha. Encontram-se foragidos também o tenente-coronel reformado Washington Vieira da Silva e o ex-policial civil Adilson Nunes, o Gina.
Na próxima semana, o coronel Pereira deverá ser interrogado pelo delegado Duval na capital pernambucana. Até agora, o oficial só foi ouvido no Inquérito Policial Militar (IPM), aberto pela Aeronáutica para apurar o caso. Além do coronel Pereira, estão presos John Michael White e a boliviana Lila Mirtha Ibañez López, acusada de ser o contato da quadrilha com traficantes bolivianos e colombianos. Depoimentos - O delegado já tem a confirmação de que foi o coronel quem entregou, no Rio, as duas malas com 32,9 quilos de cocaína para ser embarcada em um avião da FAB que seguia para a Europa. A certeza veio com os depoimentos do sargento João Anísio Campinha dos Santos e do piloto do Hércules C-130, major-aviador Antônio Takuo Tani. Santos confirmou que recebeu as malas das mãos do coronel Pereira.
Apesar de ter identificado todo o esquema da quadrilha de White - que usava o Brasil como corredor de passagem entre a Bolívia e a Colômbia, países produtores de cocaína, e a Europa -
Duval pretende prorrogar as investigações por mais 30 dias. O prazo para o fim do inquérito expira no dia 19 de maio. Segundo ele, o motivo da prorrogação é o surgimento de mais três suspeitos. Os nomes dos três, por enquanto, vêm sendo mantidos em sigilo. "Ainda não descobrimos quais eram as funções deles na quadrilha", disse.
Indiciamento - Os envolvidos no crime foram indiciados no inquérito da Polícia Federal nos artigos 12 (tráfico de drogas), 14 (associação para fins de tráfico) e 18 (tráfico internacional de drogas) da lei que dispõe sobre prevenção e repressão ao tráfico. Caso sejam condenados, podem pegar de 8 a 40 anos de prisão.

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