Pf entrega na próxima semana inquérito sobre grampo no BNDES
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 07 (AE) - Depois de quase seis meses de investigações, o delegado Rubens Grandini, da Polícia Federal, entrega na próxima segunda-feira ao Ministério Público Federal, no Rio, o inquérito sobre o grampo telefônico no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A escuta clandestina resultou na demissão do ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros e do presidente do banco André Lara Resende. O MP receberá ainda o laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC), que analisou o conteúdo das duas fitas com as gravações clandestinas, cuja conclusão também vem sendo mantida em sigilo de Justiça.
"Vamos analisar o conteúdo das investigações e, se necessário, pediremos novas diligências à PF, que deverão estar concluídas em 30 dias", explicou a procuradora Silvana Batini, que acompanha o inquérito pelo MP. Silvana disse que vai pedir à Justiça a quebra do sigilo das gravações. "Não vejo necessidade desse segredo; a sociedade tem o direito de saber o conteúdo daquelas fitas." A procuradora pretende estudar o inquérito durante 15 dias antes de decidir se pedirá novas diligências ou oferecer denúncia. "Só vamos denunciar se houver realmente provas", ressaltou. Em março, o MP devolveu o inquérito à PF e divulgou nota com duras críticas à condução das investigações. Na ocasião, Silvana chegou a considerar "plausíveis" as suspeitas publicadas na imprensa de que o então diretor-geral da PF, Vicente Chelotti, estaria usando o inquérito do grampo como forma de intimidar adversários e manter-se no poder.
Chelotti, responsável pela escolha de Grandini para presidir o inquérito, acabou sendo exonerado. "Até aquele momento, não havia nada de concreto, mas já se passaram 60 dias e novas diligências foram feitas", disse Silvana. "Depois da saída de Chelloti, as investigações ganharam maior estabilidade."
Mercadante - Segundo Grandini, 50 pessoas foram ouvidas no inquérito. Ele só lamenta apenas a ausência do deputado Aloízio Mercadante (PT-SP) no rol das testemunhas. "O depoimento dele seria muito importante para as investigações", afirmou. Quando o caso do grampo estourou, o deputado admitiu ter tido acesso ao conteúdo das fitas e chegou a ligar para a Lara Resende, então presidente do BNDES, para avisá-lo das gravações. A polícia quer saber quem repassou as informações a Mercadante.
Grandini explicou que procurou pessoalmente três vezes o deputado em São Paulo antes de ele tomar posse, em 2 de fevereiro. Depois, já em Brasília, foram feitos mais três contatos, sendo um por via do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). "Infelizmente, ele não deu retorno", disse o delegado.
Em São Paulo, o parlamentar do PT explicou que ainda não prestou depoimento porque estava ocupado com o levantamento que fez sobre os ganhos de bancos na desvalorização do real, levado à CPI dos Bancos na última quarta-feira. "Tenho o maior prazer em depor neste caso, mas não agora", afirmou, acrescentando que
pela Constituição, pode escolher dia, hora e local para depor. Para Mercadante, no entanto, a volta do grampo à mídia é um "esforço do governo para desviar a atenção das investigações sobre fraudes do sistema financeiro nacional".


