Rio Branco, 09 (AE) - A Polícia Federal (PF) encontrou hoje duas ossadas de pessoas adultas que supostamente teriam sido assinadas pelo grupo de exterminío que agiria sob o comando do narcotráfico no Estado do Acre. O lugar foi indicado ontem (08) pelo pistoleiro Raimundo Alves de Oliveira, conhecido como Raimundinho, durante depoimento à Justiça Federal.
As ossadas foram localizadas por volta das 13h30 de hoje
10h30 pelo horário de Brasília, na Estrada do Calafati, distante cerca de 20 quilômetros do centro da cidade. A área, um campo em meio à vegetação nativa, é conhecido pelos policiais acreanos como ponto de desova das vítimas do grupo de extermínio.
De acordo com Raimundinho, as ossadas seriam de um homem conhecido como Laranja e de Hélio Pinguim. Pinguim era um conhecido assaltante e sequestrador, suspeito de assaltar a casa do ex-governador Romildo Magalhães.
O delegado da PF Jones Ferreira Leite, encarregado das investigações, disse que numa observação preliminar percebeu marcas de torturas nas ossadas. Um dos esqueletos tinha uma corda atada ao pescoço e os policiais suspeitam que a vítima tenha sido arrastada até o local. "Possivelmente tenham sido obrigados a cavar a própria cova", afirmou o delegado.
O superintendente da PF do Acre, Glorivan Bernardes, disse não haver condições para realizar o teste de DNA no Estado e que os peritos vão recolher amostras das ossadas para que o exame seja realizado em outra cidade. "Não temos confirmação da identidade, mas quando o sujeito acusa, indica o local e nós encontramos a prova as informações e acusações ganham uma grande credibilidade", afirmou Bernardes.
Depois de confirmada a existência das ossadas, Bernardes tentou entrar em contato com a PF em Brasília para transmitir a informação. Ele disse que o pistoleiro não apontou o mandante do crime, mas que, como sabia extamente o local onde os corpos foram enterrados, deve saber quem foi o autor e o motivo.
Confirmação - Raimundinho foi interrogado ontem (08) pelo juiz da 2ª Seção Judiciária da Justiça Federal, Pedro Francisco da Silva. O réu teria admitido que matava por determinação de Hildebrando e entregara vivo à sua família a suposta vítima da motosserra, Agílson Santos. O juiz disse só vai se pronunciar sobre os interrogatórios quando proferir a sentença.
O interregatório do pistoleiro antecedeu ao do ex-deputado por uma questão estratégica. A Justiça e a PF queriam ter mais subsídios para interrogar Hildebrando, que desembarcou às 18 horas de ontem (08) na cidade e foi recebido com aplausos pela família e por amigos. Além do ex-deputado, o Comando de Operações Táticas (COT) da PF trouxe no avião da Força Aérea Brasileira (FAB) o 3º sargento Alex Fernandes Barros
o ex-policial Ronaldo Romero e o pistoleiro Alexandre Alves da Silva, conhecido como Nim. A previsão é de que eles e mais cinco testemunhas de acusação fossem interrogados ainda na tarde de hoje. O juiz federal Pedro Francisco da Silva, que começou a interrogar o ex-deputado federal Hildebrando Pascoal, adiou cronograma da tarde para ver o local no qual foram encontradas as duas ossadas.

mockup