Um passageiro que embarcou em Apucarana foi preso anteontem à noite pela Polícia Federal do Rio de Janeiro, acusado de estar levando no bagageiro de um ônibus da Viação Garcia granadas e explosivos, além de várias armas e munições. O ônibus fazia a linha Campo Mourão-Rio e foi parado no sábado por volta das 10 horas numa operação de rotina da Polícia Rodoviária Federal, no km 207 da rodovia Presidente Dutra, próximo a Seropédica (RJ), na Baixada Fluminense.
A PRF encontrou no bagageiro do veículo duas bolsas de viagem com 11 granadas, uma metralhadora nove milímetros de fabricação argentina, um fuzil Rugger calibre 220, dois pacotes com explosivos plásticos de gel, dois sacos de munição para revólver Magnum 357 e um saco com munição para nove milímetros. Ontem de manhã, já na garagem da Viação Garcia, no Rio, uma 12ª granada foi encontrada no banheiro do ônibus.
Segundo o gerente da Viação Garcia no Rio de Janeiro, Antônio Valdir da Rocha, 41 passageiros estavam no ônibus quando o veículo foi parado pela Polícia Rodoviária Federal. As bolsas estavam com tíquetes, mas sem a identificiação de seu proprietário. O ônibus ficou retido no local até às 13 horas de sábado e, depois, encaminhado para a sede da Polícia Federal, no centro do Rio. Os depoimentos duraram até às 2 horas da madrugada de ontem.
Além do passageiro preso acusado de transportar os armamentos, a PF prendeu um segundo homem que seria o receptador da encomenda. Ele foi preso na própria Polícia Federal do Rio, onde apareceu por volta das 22 horas de sábado para saber o que tinha acontecido com o ônibus que ele esperava na Rodoviária Novo Rio. Este homem teria se apresentado no local com uma carteira falsa de agente da Polícia Federal.
O gerente da Viação Garcia no Rio contou à Folha que, antes de sair da PF, ainda pediu que fosse feita uma conferência geral no ônibus para ver se não havia mais nenhum armamento escondido. Nada foi encontrado. Ontem à tarde, porém, um funcionário da empresa encontrou uma granada presa na válvula de descarga do banheiro. A PF voltou a ser chamada. Os agentes chegaram à garagem às 14 horas e só conseguiram retirar a granada cerca de quatro horas depois.
Rocha não soube informar o nome do passageiro acusado de transportar as armas, nem do receptador dos armamentos. Ele disse apenas que o homem estava na poltrona 15 do carro 6.616 e que, segundo informações, seria de Londrina. O passageiro preso foi o terceiro a prestar depoimentos à PF. Quando o 18º passageiro depôs, surgiram as primeiras contradições no depoimento dele. No 27º depoimento, a Polícia Federal descobriu o dono das armas.
A linha Campo Mourão-Rio da Viação Garcia sai todas as segundas, quartas e sextas-feiras da rodoviária de Campo Mourão, às 17h30. Segundo a empresa, a maioria dos passageiros embarca em Maringá e Londrina, mas o veículo faz ainda paradas em várias outras cidades, desde que existam passageiros. A última é em Cambará (PR). A polícia admite que o transporte de armas e drogas em ônibus é ‘‘vulnerável’’ devido à falta de fiscalização.
Entre os passageiros, um grupo de adolescentes viajava para o Rio, onde assistiria no fim de semana alguns dos shows do Rock In Rio. Apesar do atraso na viagem por causa do problema com as armas, Ana Gabriela, Caio Rangel, Dayse Reesse e Cleber Venâncio não perderam o ânimo e até posaram para fotógrafos de jornais cariocas mostrando ingressos que já haviam comprado.
Ataque Coincidentemente, traficantes arremessaram uma granada e uma bomba de fabricação artesanal contra o Posto de Policiamento Comunitário (PPC) da Praia de Ramos, onde fica uma favela da zona norte do Rio, ontem de manhã. Somente a bomba foi detonada. Ela caiu sobre o telhado do posto policial, abriu um buraco no teto e arrebentou o encanamento. Outras três granadas foram encontradas ontem em pontos diferentes da cidade – uma delas, abandonada num beco da Praia de Ramos. Ao todo, 16 explosivos foram apreendidos no Rio, no fim de semana. O ataque ao PPC ocorreu às 6 horas.

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