São Paulo - A Polícia Federal e a Receita desarticularam ontem uma quadrilha que operava um esquema multimilionário de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo a PF, as empresas do grupo movimentaram mais de R$ 600 milhões de origem ilícita em cerca de cinco anos.
O grupo teria usado contas bancárias de 87 empresas, em sua maioria fantasmas, para receber grandes quantias de dinheiro de pessoas físicas e jurídicas, interessadas em adquirir mercadorias, drogas e cigarros provenientes do Paraguai e de diversos estados brasileiros, afirma a polícia.
A quadrilha era responsável por conferir aparência lícita a dinheiro adquirido de maneira ilegal e remeter esse dinheiro sujo ao Paraguai. Para atender às exigências de doleiros paraguaios, a organização criminosa também era responsável por transferir parte dos ativos ilícitos para contas bancárias brasileiras controladas por tais doleiros.
Foram cumpridos mandados de prisão preventiva, prisão temporária, condução coercitiva e de busca e apreensão nos municípios de Foz do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu, Matelândia, Cascavel, Palotina, Toledo e Altônia, no Paraná, Joinville, em Santa Catarina, Soledade, no Rio Grande do Sul, e Ribeirão Preto e Monte Aprazível, em São Paulo.
Segundo a Polícia Federal, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva, 30 de prisão temporária e 23 de condução coercitiva (quando a pessoa é levada à presença de autoridade policial ou judiciária de forma impositiva). A maioria das prisões ocorreu em Foz do Iguaçu. A PF também cumpriu três mandados de prisão temporária e um de condução coercitiva em Toledo, dois de prisão temporária e um de condução coercitiva em Ribeirão Preto, um de prisão preventiva em Cascavel, um de prisão preventiva em Soledade, um de prisão temporária em Joinville e um de condução coercitiva em Palotina.
Na ação, participaram 230 policiais federais e 30 servidores da Receita Federal. A operação foi batizada de Bemol por ter o mesmo propósito da Operação Sustenido, deflagrada há menos de um ano pela Polícia Federal e pela Receita Federal em Foz do Iguaçu.

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