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m de leitura Atualizado em 28/07/2022, 14:37

PF e Receita deflagram operação que investiga falsos investimentos

Além de não aplicar na bolsa de valores a integralidade dos recursos, o que era aplicado, normalmente resultava em prejuízo.

PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de julho de 2022

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A Polícia Federal, em trabalho conjunto com a Receita Federal do Brasil, deflagrou na quinta-feira (28/7) a Operação Traders, com o objetivo de desarticular grupo criminoso que praticava crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, contra o mercado de capitais e de pirâmide financeira em diversas cidades paranaenses. A organização operava também nos estados de SC, SP e RJ. Os investigados se apresentavam como “traders” para captar economias de vítimas/investidores, a pretexto de aplicar os recursos no mercado de valores mobiliários.

A líder do esquema, que residia em Umuarama (Noroeste), alegou que iria migrar de “operações em bolsa de valores” para criação um “banco digital”. A líder do esquema, que residia em Umuarama (Noroeste), alegou que iria migrar de “operações em bolsa de valores” para criação um “banco digital”.
A líder do esquema, que residia em Umuarama (Noroeste), alegou que iria migrar de “operações em bolsa de valores” para criação um “banco digital”. |  Foto: Divulgação/Assessoria da Polícia Federal do Paraná
 

A investigação apontou que retornos acima daqueles praticados no mercado eram prometidos (lucros de até 6,4%), embora as “mesas proprietárias” apresentassem perdas consistentes, principalmente em operações de “day trade”, ou seja, além de não aplicar na bolsa de valores a integralidade dos recursos, o que era aplicado, normalmente resultava em prejuízo. 

As operações eram feitas através de, pelo menos 22 empresas não autorizadas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a captar recursos e realizar investimentos no mercado. Os investigados emitiram e ofereceram ao público valores mobiliários consistentes em contratos de investimento coletivo em nome de empresa de fachada, sem registro prévio de emissão junto à CVM, sem lastro ou garantia suficientes e sem autorização prévia da CVM.

Com o passar do tempo e como é natural nesse esquema, os investigados não conseguiam mais honrar os compromissos assumidos, vez que os valores arrecadados não eram de fato investidos em operações de bolsa de valores e quando eram, não resultavam nos lucros prometidos. 

A partir disso, a líder do esquema, que residia em Umuarama (Noroeste), passou a dissimular o objeto fictício das empresas, tendo apresentado aos clientes, ora vítimas, a alegação de que iria migrar de “operações em bolsa de valores” para criação um “banco digital” e que deste novo empreendimento conseguiria honrar os contratos de pagamentos de valores, repita-se muitos superiores ao que o mercado real costuma pagar a investidores.

Foram mobilizados aproximadamente 70 Policiais Federais e 15 servidores da RFB para o cumprimento de 17 mandados judiciais, nas cidades de Umuarama, Guaíra, Douradina, Foz do Iguaçu e Curitiba, no Paraná e em Taboão da Serra (SP). Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça Federal determinou o sequestro de automóveis, imóveis e criptoativos.  As ordens foram expedidas pela 23ª Vara Federal de Curitiba.

A investigação iniciou em 2021 a partir da identificação das primeiras filiais das empresas de “operação em bolsa de valores” em pequenas cidades da fronteira paranaense com o Paraguai, como Guaíra, Douradina e Umuarama.  Chamou atenção o uso, pelos líderes do esquema, de veículos de luxo, praticamente novos, na região de fronteira, incompatíveis com a renda declarada.

Durante as investigações, foi apurado que a organização criminosa captou movimentou nos últimos valores que ultrapassam a cifra de 200 milhões de reais e fez milhares de vítimas nos Estados de SP, PR, RJ e SC, concentrando-se na região oeste paranaense e em Curitiba, na capital. 

Os valores aplicados/investidos pelas vítimas variavam de mil reais (valor mínimo aceito pelo grupo), sem limite máximo. Vale destacar que algumas pessoas investiram cifras que ultrapassaram um milhão de reais. Os valores eram depositados diretamente nas contas das empresas investigadas e depois transferidas, parcialmente, para as constas pessoais dos líderes do esquema.

A investigação segue em andamento e é feita em conjunto entre a Polícia Federal de Guaíra e o Núcleo de Pesquisa e Investigação da Receita Federal do Brasil (Foz do Iguaçu). 

A Comissão de Valores Mobiliários também colaborou com os trabalhos e acompanha as diligências em andamento. Os envolvidos devem responder por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, Contra o Mercado de Capitais, Contra a Economia Popular, Organização Criminosa e Lavagem de dinheiro. (Com PF)

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