PF e Polícia Civil planejam ação conjunta contra crime organizado
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terça-feira, 12 de outubro de 1999
Por Cláudio Barros (especial para a AE) 
Teresina, 13 (AE) - Delegados das Polícias Federal e Civil reuniram-se hoje na sede da Superintendência da PF do Piauí para traçar um plano de ação conjunta nas investigações sobre o crime organizado no Estado. Amanhã (14), serão iniciados os inquéritos policiais e administrativos contra os policiais citados nas fitas gravadas pela PF com autorização judicial.
Apesar da movimentação intensa de policiais, nenhum pedido de prisão foi expedido. Permanecem soltos os delegados Pedro Silva e Wilson Torres, segundo homem na hierarquia do grupo liderado pelo coronel Viriato Correia Lima, apontado como líder do crime organizado no Estado. Até agora, a única providência tomada em relação a Torres foi o pedido de que ele entregasse a arma à Secretaria da Segurança Pública. A equipe de cinco delegados nomeada para trabalhar em conjunto com a PF vai pedir a prisão dos envolvidos e a busca e apreensão de documentos.
O delegado-geral da Polícia Civil, Francisco Bonfim, não descarta a possibilidade da busca de um suposto cemitério clandestino. "Onde houve o desmantelamento de organizações criminosas como essa, em Alagoas e no Acre, foi constatada a existência de cemitérios clandestinos; aqui, pode ser igual", diz.
Há um temor na Secretaria da Segurança de que haja "queima de arquivo" de citados no dossiê montado pela PF. Em razão disso, houve reforço na segurança de Lima. Silva e Torres também foram postos sob vigilância policial.
Torres tem tanta certeza de que será preso que permanece a maior parte do tempo na sede da Secretaria da Segurança.
O advogado Ezequiel Dias, contratado por Lima, debocha da "queima de arquivo". "Isso é uma falácia, uma invenção." Dias tentará desqualificar o grampo telefônico como prova contra o cliente. Ele vai recorrer à Justiça Federal alegando que a escuta telefônica autorizada judicialmente só poderia cobrir um período de 30 dias. As gravações no Piauí foram realizadas durante oito meses.
Sexta-feira (15), os 13 desembargadores do Tribunal de Justiça (TJ) do Piauí reúnem-se para avaliar a extensão das denúncias sobre o crime organizado, que implicou os juízes Orlando Pinheiro e Francisco das Chagas Moreira.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) também está analisando a participação do assessor de segurança, o coronel reformado Astrogildo Sampaio, no esquema de notas fiscais falsificadas, "vendidas" por Torres e Lima a prefeituras do Piauí.


