PF e Exército deixam Estrada do Colono
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quarta-feira, 20 de junho de 2001
Emerson DiasEnviado a Serranópolis do Iguaçu 
Os agentes federais e soldados do Exército encerraram na tarde de ontem os últimos trabalhos na Estrada do Colono, deixando o local sob os cuidados de 20 policiais. Dentro de dez dias, o Ibama deve construir um alojamento para abrigar os homens que protegerão o acesso ao Parque Nacional do Iguaçu.
Os últimos dois tratores e três ônibus, contratados pelos ministérios do Meio Ambiente e Justiça, saíram do acampamento transportando cerca de 100 pessoas em direção a Foz do Iguaçu. De lá, os federais seguiriam viagem para suas casas. A última vala de interdição foi aberta na entrada da via, enquanto uma corrente foi estendida entre dois pilares de concreto, fechando definitivamente a estrada.
A idéia do muro foi descartada porque o Ibama garantiu que vai construir um alojamento pré-moldado dentro de dez dias. A idéia é montar a casa no começo da estrada, bloqueando de vez a pista, explicou o comandante da operação, Antonio Borges Filho. Ele lembrou que existe a possibilidade de as polícias Militar e Florestal auxiliarem na segurança da via. A definição deve sair da Secretaria de Segurança Pública do Paraná. Nossos homens ficarão aqui, no mínimo, 15 dias, garantiu Borges.
Enquanto os policiais desmontavam as barracas (somente quatro tendas permanecem no local), cerca de 20 moradores acompanhavam, de longe, o fim de uma semana de interdição. Preocupada com as ameaças dos ribeirinhos, a diretoria do Ibama em Foz divulgou que 20 técnicos estarão percorrendo os limites da reserva para avaliar pontos suscetíveis a incêndios. A responsabilidade pela vigilância da via passa a ser do delegado-chefe da PF em Foz, Joaquim Cláudio Figueiredo Mesquita. Ele garantiu que dará sequência às determinações de Brasília, inclusive o uso da força, se necessário.
Durante os oito dias em que os federais permaneceram no local, dois conflitos foram registrados. O primeiro aconteceu logo na chegada do grupo, no dia 13 deste mês. Quatro pessoas foram detidas por bloquearem a rodovia, entre elas os prefeitos petistas de Medianeira, Luiz Suzuke, e de Serranópolis do Iguaçu, Nilvo Perlin. O segundo e mais grave confronto ocorreu no feriado de Corpus Christi (dia 14). Os moradores investiram contra o helicóptero que transportava o diretor do Parque Iguaçu, Júlio Gonchoroski, e foram barrados com bombas de efeito moral e uso de cacetetes. Quatro pessoas ficaram feridas, entre elas uma menina de sete anos, um policial e dois manifestantes (um deles foi preso por desacato).
A Estrada do Colono possui 17,6 quilômetros e foi motivo de discussão entre ambientalistas e moradores de Serranópolis do Iguaçu (região Oeste) e Capanema (Sudoeste do Estado) durante quatro anos. A população argumenta que a via foi aberta antes da criação da reserva (o caminho existe há 77 anos) e que reduz a viagem entre as regiões Oeste e Sudoeste em 120 quilômetros. Já os ecologistas (e técnicos do Ibama), dizem que a manutenção do trecho ameaça a vida dos animais que cruzam a estrada e principalmente porque divide o Parque Iguaçu (refúgio de 185 mil hectares), prejudicando o ecossistema local.


