PF e CMA investigam denúncia de infiltração de guerrilheiros entre sem-terra em RO
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terça-feira, 29 de junho de 1999
Por Kátia Brasil e César Guedes, especial para a AE 
Manaus, 30 (AE) - A Polícia Federal (PF) e o Comando Militar da Amazônia (CMA) investigam a denúncia de infiltração de guerrilheiros dos grupos Sendero Luminoso, do Peru, e de Zapatistas, do México, entre os sem-terra da Liga Camponesa Operária (LOC), em Machadinho DOeste (RO). As duas organizações podem ter militantes espalhados em uma área de aproximadamente 2 5 mil quilômetros quadrados, na fronteira dos Estados do Acre e de Rondônia com a Bolívia e o Peru. O CMA informou que, apesar do tamanho, do isolamento e da densidade da floresta na região, a vigilância é constante e conta com cerca de 2 mil homens da 17ª Brigada de Infantaria de Selva (BIS). "Estamos investigando o caso, mas o assunto está sendo tratado com reserva", informou o chefe da 5ª Seção do CMA, major Gabriel Gondim.
Segundo Gondim, a presença de militantes das organizações nos Acampamentos Curral e Barragem, pertencentes à LOC, preocupa os militares. "Sem dúvida é preocupante e complicado o envolvimento dessas organizações com os sem-terra"
confirma o oficial. "Mas, até o momento, não houve nenhum fato que nos levasse a determinar um alerta máximo", ressaltou. Em maio, o setor de inteligência da Polícia Federal descobriu diversas publicações em espanhol dos guerrilheiros zapatistas e dos militantes do Sendero Luminoso nos acampamentos da LOC. Investigações - As primeiras investigações da PF sobre a presença de guerrilheiros entre sem-terra da LOC surgiram depois da denúncia de dois ex-integrantes da Liga, que atuavam no interior de Minas Gerais. A informação foi confirmada por Claudemir Gilberto Ramos, o Pantera, que integra o Movimento Camponês Corumbiara (MCC). De acordo com informações de integrantes do movimento, o local onde estão os militantes da Liga faz divisa com uma reserva indígena e tem acessos por água e por terra, além de dispor de uma pista de aterrissagem. As informações dos sem-terra são as de que homens vestidos com roupas camufladas e portando armas de grosso calibre foram vistos em três assentamentos de Machadinho DOeste. Referências - Todas as referências citadas pelos sem-terra são semelhantes. O primeiro suspeito foi visto pelo sem-terra Paulo Sérgio Carvalho no Assentamento Santa Catarina. Ele contou que, quando foi amarrar o cavalo, se deparou com um homem camuflado armado de carabina. "O homem apontou a arma para mim e ordenou que eu voltasse". Outras testemunhas garantem que o grupo guerrilheiro possui armas e munições em grande quantidade. Uma equipe de oficiais do Exército está fazendo desde hoje o levantamento da área do Projeto de Assentamento Rural Palma Arruda.
A inspeção é comandada pelo 5.º Batalhão de Engenharia e Construção de Porto Velho e pelo executor do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Machadinho DOeste, Eustácio Roberto Salomão. Ele nega que a vistoria esteja sendo feita com o objetivo de desarmar possíveis guerrilheiros e sem-terra. "É apenas de inspeção de reconhecimento da área para que o 5.º BEC possa planejar o serviço de demarcação dos lotes"
afirmou Salomão. O Incra pretende assentar 550 famílias na área de 26 mil hectares que já está desapropriada. Líderes - No projeto existem quatro assentamentos de sem-terra, dois deles liderados pela LOC, um pelo MCC e outro por um grupo independente. No acampamento liderado pelo MCC consta um registro de mais de 400 famílias. No entanto, foram encontradas apenas 80. Nos acampamentos da Liga a estimativa é a de que existam 170 famílias. O MCC denuncia que os sem-terra estão deixando os acampamentos por causa das ameaças da Liga. Dois líderes da LOC, conhecimentos apenas por Pelé e Ceará, continuam na área. As informações são as de que as demais lideranças se estão espalhando por todo o Estado de Rondônia, além de infiltrarem-se em outros movimentos, com o objetivo de expandir suas táticas de guerrilhas.


