Rio, 09 (AE) - O delegado de Roubos e Furtos, Márcio Franco de Mendonça, pediu à Polícia Federal que também investigue as ligações do professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Paulo César Wellerson de Albuquerque, acusado de vender carros importados roubados, com o tenente coronel aviador Paulo Sérgio Pereira de Oliveira, que está preso em Recife, sob acusação de transportar cocaína em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Os dois são vizinhos em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos fluminense, e o professor é sócio da mulher do tenente-coronel, Sílvia, numa oficina de conserto de lanchas. A polícia suspeita que essa ligação se estenda a negócios ilegais.
"Pode ser que eles façam parte de um esquema só, que paga carros importados roubados com droga", afirmou Franco de Mendonça. Na Polícia Federal, o delegado Marcelo Duval Soares informou que as investigações sobre o tráfico de drogas vão caminhar também neste sentido e, caso seja comprovada alguma ligação do tenente-coronel com o professor, a acusação será incluída no inquérito criminal que fica pronto até o dia 19 deste mês. "Mas, por enquanto, não temos qualquer prova de uma ligação ilegal entre os dois", ressaltou Soares.
Hoje, policiais da Delegacia de Roubos e Furtos voltaram a São Pedro da Aldeia, mas não conseguiram encontrar novos documentos sobre o professor. No entanto, o delegado Franco de Mendonça acredita que, até o fim da semana, já tenha elementos para pedir a prisão preventiva do professor Paulo de Albuquerque. Desde ontem, ele não é encontrado na cidade. Sua casa e a oficina em sociedade com a mulher do tenente-coronel Oliveira estão fechadas. Segundo policiais da delegacia de São Pedro da Aldeia, os dois moram lá há pouco mais de um ano e não tinham muitas relações na cidade.
A polícia pediu também ao Detran informações sobre os dois funcionários do Rio que assinaram e autenticaram os IPVAs que o professor usava para vender os carros importados e uma carteira de motorista falsa no nome dele. Dois dos compradores, José Correira Braga, de Niterói, e Leo Ramasauskas, de São Pedro da Aldeia, disseram à polícoa que a apresentação do IPVA eliminou a suspeita de que os carros eram roubados, apesar de terem preço muito abaixo do mercado. Mesmo assim, eles responderam a inquérito policial.
Segundo o delegado Franco de Mendonça, Admo da Silva Cruz, da Divisão de Fiscalização, assinou e autenticou os IPVAs e Carla Maria da Cruz, da Divisão de Habilitação, assinou a carteira falsa. A direção do Detran não se pronunciou sobre o pedido ou sobre a possível participação de seus funcionários no esquema.

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