Curitiba- A Superintendência Regional da Polícia Federal no Paraná deverá cumprir mandados de prisão de pessoas do Estado supostamente envolvidas em um esquema de fraude em concursos públicos. A quadrilha foi desbaratada pela Polícia Civil do Distrito Federal no último fim de semana. Até a tarde de ontem, 80 mandados haviam sido cumpridos - a grande maioria no Distrito Federal e parte no Mato Grosso, na Bahia e em Goiás.
Dos detidos, 36 já haviam sido liberados. Outras 24 prisões estavam pendentes, de pessoas em sete Estados, incluindo o Paraná. As detenções fora do Distrito Federal estão sendo feitas pela PF. A fraude consistiria de pagamentos para que candidatos tivessem nomes incluídos em listas de aprovados ou recebessem os gabaritos de provas de concursos públicos.
Segundo a assessoria de comunicação da Polícia Civil do Distrito Federal, até ontem haviam sido detectados indícios de atuação da quadrilha em 10 concursos. Destes, oito já foram realizados. As seleções ocorreram ou iriam ocorrer no Distrito Federal, em Tocantins, no Pará e no Mato Grosso - também estaria dentro do esquema o concurso para cargo de agente penitenciário federal realizado no último fim de semana.
A Polícia Civil do Distrito Federal preferiu não informar quantos mandados precisam ser cumpridos no Paraná e em quais cidades, sob a justificativa de que a divulgação destas informações poderia atrapalhar as investigações.
O superintendente regional da PF no Paraná, Jaber Hanna Saad, se recusou a atender a reportagem da Folha. A assessoria de comunicação social da corporação apontou que informações sobre o caso só seriam divulgadas após o cumprimento dos mandados.
Depoimento- Pelo menos 6 dos 14 funcionários do Tribunal de Justiça do Distrito Federal presos acusados de participar da fraude disseram ontem em depoimento à Polícia Civil que pagaram até R$ 40 mil para serem aprovados na seleção, em 2003. Eles afirmaram ter recebido, por telefone, o gabarito da prova e o tema da redação três dias antes do exame.
As provas dos dois concursos foram organizadas pelo Cespe (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos), ligado à Universidade de Brasília. ''Temos indícios de existir uma pessoa do Cespe passando informações dos concursos'', disse o chefe da Polícia Civil do DF, Laerte Rodrigues de Bessa.(Com Folhapress)

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