Manaus, 11 (AE) - A Polícia Federal (PF) do Amazonas, acionada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário, começou hoje a tomar os depoimentos dos envolvidos no escândalo dos alvarás de soltura do Tribunal de Justiça (TJ). Os depoimentos estão sendo acompanhados pelo advogado do Senado Shalon Granado.
O depoimento mais esperado e demorado foi o da advogada Maria José Rodrigues Menescal de Vasconcelos. Durante quatro horas, ela falou ao delegado Nivaldo Farias. Maria José afirmou que a cobrança de R$ 21 mil que fez ao traficante Charles Roosevelt de Paula Rodrigues para a concessão de um alvará de soltura foi com o objetivo de pagar os honorários dela e não o desembargador Daniel Ferreira da Silva, como denunciou Paula Rodrigues à Procuradoria Regional da República.
"Esse é o preço que eu cobro pelos meus honorários, que inclui toda a instrução processual; essa denúncia é uma farsa", justificou a advogada.
Segundo a denúncia, Paula Rodrigues foi preso por tráfico internaciopnal de drogas em 7 de agosto de 1997. Contratou a advogada e, em 4 de setembro, ganhou a liberdade. O traficante disse que o dinheiro para conseguir o alvará foi entregue na casa do desembargador por Maria José, pela tia dele Maria Guadalupe de Paula e pela mulher dele, Mary Vânia de Castro, um dia antes de sair da prisão. Paula Rodrigues continua foragido.
Nos últimos dois anos, a advogada também conseguiu libertar 12 fabricantes, por meio de alvarás, habeas-corpus e progressão de regime, o que levou a PF a investigar o caso e grampear conversas telefônicas da advogada e de clientes dela. O grampo foi autorizado pela Justiça Federal. Desses documentos que beneficiam traficantes, nove têm a assinatura do desembargador Silva. Perguntado sobre a relação com o magistrado, a advogada afirmou: "Contratou-me e pagou, eu faço meu trabalho; se vai soltar, e quem vai soltar, não cabe a mim responder." O delegado Farias ouviu também os depoimentos de Guadalupe de Paula e Angelita Carvalho. A segunda é irmã do traficante Firmino Vicente Carvalho Caldas, que denunciou o esquema dos alvarás, envolvendo o ex-funcionário do TJ Antonio Carlos Santos dos Reis. Até o início da noite, o delegado também ouvia o depoimento de Reis, que foi acusado pelo desembargador de falsificar a assinatura dele no alvará de soltura concedido ao traficante Altamiro Mitoso.
Amanhã (12), deverão ser ouvidas mais três envolvidos, cujos nomes a PF não revelou. O advogado do Senado não quis falar sobre os trabalhos da CPI em Manaus.

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