Rio, 28 (AE) - O delegado Marcelo Duval, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal do Rio, disse hoje que já tem provas para indiciar o americano Johh Michael White por tráfico internacional de entorpecentes. White, que está preso na sede da PF carioca desde o dia 19, é acusado de ser o chefe da quadrilha que tentou embarcar, na semana passada, 32,9 quilos de cocaína em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), que iria para Europa. Amanhã (29) à tarde, o delegado vai ouvir o primeiro-sargento da Aeronáutica que recebeu, no Rio, as duas malas com a droga. O nome do primeiro-sargento, que prestará depoimento como testemunha, foi mantido em sigilo.
As duas malas foram entregues pelo tenente-coronel Paulo Sérgio Pereira, que está preso em uma base militar de Recife. O coronel seria um dos elos de ligação da quadrilha chefiada por White. Segundo as investigações da polícia, o grupo usava o Brasil como uma espécie de corredor de passagem para o tráfico de cocaína entre Bolívia e a Espanha, através de rotas aérea - pelos aviões da FAB - e marítima, por navios de transporte de cargas. Leiloeira - Duval disse que, por enquanto, não pretende convocar para depor a leiloeira pública Zalfa Nassar, mulher do empresário José Germano Neto, de 49 anos, preso desde setembro passado nos Estado Unidos, após ter sido condenado a 12 anos de prisão na França por tráfico internacional de entorpecentes. O nome de Germano apareceu no caso da FAB depois que a PF descobriu que um dos supostos integrantes da quadrilha de White, o tenente-coronel aviador da reserva Washington Vieira da Silva, comprou um apartamento na Barra da Tijuca, zona oeste, pertecente à leiloeira. O coronel reformado está foragido.
"Ainda não temos provas suficientes para chamar a senhora Zalfa", afirmou Duval. "Por enquanto, ainda estamos nos indícios". A PF já sabe que o casal não tem patrimônio compatível com os seus ganhos declarados. A estimativa, segundo a polícia, é de que Germano teria patrimônio de cerca de R$ 5 milhões no Brasil. Antes de ser preso, ele era sócio majoritário da Technik - segunda maior revendedora BMW do País, que fechou depois do escândalo -, dono de uma madeireira, de um posto de gasolina e de uma mansão, na região metropolitana.

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