PF diz ter provas da atuação da máfia italiana em bingos no País
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de novembro de 1999
Por Edson Luiz, Hugo Marques e Demétrio Weber 
Brasília, 06 (AE) - A Polícia Federal (PF) já reuniu provas de que a Máfia italiana investiu US$ 300 mil para criar empresas no Brasil de lavagem de dinheiro do narcotráfico e para controlar todo o mercado de bingos no País. Um brasileiro que seria ligado à Máfia criou um esquema de "venda" de autorizações do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto (Indesp) por R$ 15 mil cada. A PF identificou e deve prender na próxima semana um mafioso no País, que está com prisão decretada na Itália.
A PF já reuniu documentos para provar que o mafioso italiano Lillo Lauricella, preso na Itália por tráfico de cocaína e heroína, abriu empresas no Brasil em sociedade com outros empresários. A informação consta na carta rogatória enviada pela Divisão Anti-Máfia italiana ao Supremo Tribunal Federal no ano passado. Ali consta que Lauricella é sócio do também italiano Giuseppe Aronica na empresa Betatronic Produtos Eletrônicos Ltda.
Lauricella aparece como sócio das empresas de Alejandro Ortiz de Viveiros e Alejandro Ortiz Fernandes, de São Paulo. Viveiros é apontado como o braço-direito da Máfia no Brasil e Fernandes é o dono da NeoJuegos, empresa que recebeu a primeira autorização do Indesp este ano para operar máquinas de videobingo. Já Aronica aparece como sócio de Viveiros. Os italianos, que estiveram no Brasil, criaram empresas de bingo, de exportação e importação, para lavar o dinheiro que ganharam com o narcotráfico internacional. O mafioso que estaria em território nacional e em vias de ser preso mora em São Paulo. Teria nascido na França, mas foi condenado na Itália por envolvimento com o esquema de Lauricella.
Um empresário paulista, que também seria ligado ao esquema da Máfia, montou um escritório na cidade para vender autorizações para funcionamento de bingos do Indesp por R$ 15 mil cada. A PF já levantou provas da venda de certificados, mas ainda não finalizou as investigações. Aos poucos, a PF está constatando na prática a denúncia feita pelo Ministério Público, de que a Máfia italiana tentou controlar o sistema de bingos no País. A PF checará se um grupo de professores de três universidades brasileiras também estaria envolvido com o esquema. Os institutos em que eles trabalham faziam a certificação de máquinas de bingos.


