PF diz que Centronic não tinha controle de efetivo
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quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O superintendente da Polícia Federal (PF), Delci Carlos Teixeira, afirmou, ontem, que foram encontrados vestígios de que o estudante Bruno Strobel Coelho Santos, 19 anos, tenha sido torturado nas dependências da Centronic antes de ser morto, no último dia 2. Quatro vigilantes da empresa foram presos acusados de torturar e matar o rapaz depois de encontrá-lo pichando o muro de um imóvel vigiado pela empresa.
A PF deve concluir o laudo técnico com análise dos materiais e documentos recolhidos em no máximo 15 dias, mas Teixeira acredita que já existem indícios de que a empresa atua de forma irregular. ''É preciso apurar para ver se a empresa foi usada para motivos diversos que não seja seu trabalho. Mas me parece que faltou, no mínimo, que a empresa tivesse controle efetivo sobre seus funcionários e sobre o uso de suas instalações'', afirmou.
A PF encontrou vestígios de tinta nas portas de um armário dentro da empresa. Esse material está sendo analisado e comparado com restos de tinta que havia no porta-malas do carro da empresa onde o estudante foi levado até Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba.
A Polícia Federal, por meio de sua Delegacia de Segurança Privada (Delesp) -responsável pelo licenciamento das empresas de vigilância- coordena investigação para saber se a empresa vinha cometendo alguma irregularidade. Também estão sendo analisados documentos sobre os funcionáriso e armas da empresa.
Segundo Teixeira, a PF já encontrou pelo menos uma irregularidade: vigilantes de outra empresa estariam prestando serviço na Centronic. Nesse caso, as duas empresas podem ser responsabilizadas. Também foram encontrados ''problemas de munição'', ou seja, a empresa estaria com quantidade de munição incompatível com o número informado à PF. A Centronic já foi autuada três vezes pela PF anteriormente, por uso irregular de uniforme, por contratar vigilantes sem o curso de capacitação exigido, e por ter funcionários com o curso vencido. Em 2003, a PF também recebeu denúncia referente às armas da empresa, mas na ocasião não encontrou irregularidade.
O advogado criminalista Elias Mattar Assad, que representa a Centronic Segurança e Vigilância, afirmou, ontem, que a ação dos vigilantes não teria partido de qualquer ordem da empresa. ''Não existia nenhuma ordem da empresa para que os vigilantes agissem errado. Houve quebra de confiança por parte de seus funcionários'', disse. Ele ressaltou que a Centronic não teria nenhuma razão para orientar seus funcionários a cometer ações ilegais. ''Ela receberia a mesma coisa de seus clientes, com truculência ou não. Não teria lógica contrariar a lei'', afirmou.


