Porto Alegre, 31 (AE) - A Polícia Federal do Rio Grande do Sul afirma já ter indícios para pedir a prisão preventiva do modelo Márcio Fonseca Scherer, de 27 anos, suspeito de matar o empresário paraense João Sabóia, 56 anos, na suíte 2.716, do hotel Waldorf Astoria, em Nova York. Segundo o delegado Jairo Cacenote, que recebeu hoje um relatório de dez páginas da polícia nova-iorquina, a PF não tomará nenhuma iniciativa até que a Justiça Federal decida quem tem a competência para tratar do caso.
Na segunda-feira, o juiz plantonista Márcio Krás Borges, da 3ª Vara Criminal Federal, pediu informações ao Ministério da Justiça sobre a existência ou não de acordos internacionais firmados pelo Brasil relativos a situações de latrocínio ou homicídio. De acordo com a resposta, o juiz decidirá a respeito da competência ou não da Justiça Federal. A documentação recebida pela PF já foi repassada ao juiz e ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF/4a. Região).
Cacenote contou que, com o relatório, vieram cinco fotografias de Sabóia, como foi encontrado na suíte. Entre as informações que constam do informe estão algumas que agravam a situação de Scherer. Constatou-se, por exemplo, que o crime teria acontecido entre as 16h29 e 17h10 do dia 12 de março, pouco antes de o suspeito ter sido flagrado deixando o local com uma sacola. Um mensageiro e um garçom afirmaram ter visto Scherer e Sabóia juntos no quarto. O garçom relatou que levara um balde de gelo até a suíte às 16h28. Após Scherer deixar o hotel ninguém mais teria entrado na suíte. Entre outros objetos, sumiram do quarto valores entre US$ 25 mil e US$ 30 mil que pertenciam a Sabóia, além de dois relógios (um Rolex e um Piaget), uma corrente de ouro e um anel também de ouro com um rubi. O delegado comentou que também recebeu um fax do advogado da família de João Sabóia, Fernando Rocha, solicitando que a PF conduza o assunto.
Na segunda-feira, Scherer firmou um termo de compromisso na 3ª Vara Criminal de Porto Alegre. Pelo documento, ele só poderá deixar sua cidade - São Leopoldo/RS, no Vale do Rio dos Sinos - com autorização judicial. Terá, ainda, que comunicar ao juiz qual o seu paradeiro e maneira de localizá-lo. Na sexta-feira (26), às 9h, acompanhado de seus advogados, Scherer comparecera ao foro de São Leopoldo, colocando-se à disposição da Justiça. Depois, às 11h, prestou depoimento na superintendência da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Sua prisão temporária foi decretada no mesmo dia pela juíza federal Cláudia Dadico. Mas, na madrugada de sábado, foi libertado por meio de um habeas corpus impetrado pelo advogado Ivan Vieira e concedido pelo TRF/4a. Região.

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