Brasília, 22 (AE) - Um relatório que a Polícia Federal (PF) enviou à CPI do Narcotráfico mostra que nos últimos 15 anos a máfia nigeriana vem recebendo apoio de várias empresas de São Paulo para se instalar no País. Segundo o documento, os nigerianos montaram uma estrutura em 20 países e utilizam o Brasil "como ponto de apoio". Um dos maiores fornecedores de drogas aos nigerianos seria o paraguaio Dionisio Vasquez.
Segundo a PF, a partir de 1990 os nigerianos pediam vistos mediante apresentação de cartas de empresas brasileiras, para suposto contrato comercial. Posteriormente, nigerianos que tinham ligações com estas empresas no Brasil foram sendo investigados e presos por tráfico no País e no exterior. O relatório que a PF enviou à CPI é de 1995, mas está sendo considerado pelos parlamentares um documento importante, pois traça todo o esquema da organização.
Entre as empresas que aparecem na lista de investigados pela PF estão a Tropical Comercial Exportadora e Representações e a Calçados Clovis, ambas de São Paulo.
Dois nigerianos foram presos em 1990 por tráfico de cocaína
em Frankfurt, Alemanha, e tinham entre seus pertences anotações sobre as duas empresas. A lista da PF inclui ainda as empresas Koga Koga, Cibrex, Comissária de Despachos Itápolis, Toriba Veículos, Unidex Exportadora, Braxtex Exportadora, Daneli Importação e Brasniger Comércio. Segundo a PF, a máfia nigeriana está baseada nas cidades de São Paulo, Campinas (SP), Araçatuba (SP), Foz do Iguaçu (PR), Três Lagoas (MG), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e em cidades do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
No exterior, já foram identificados "contatos" da máfia em 18 países, entre eles Estados Unidos, Líbano, Camarões, áfrica do Sul, Suíça e Bélgica.
As investigações da PF identificaram contatos telefônicos de supostos líderes da organização na Inglaterra, nos nomes de Erick Ndukwe Ogbuokiri Okeke e Pins Okaka Agukwu.
Desde 1991, a polícia inglesa vem investigando a máfia nigeriana. Um ex-embaixador da Nigéria no Brasil, Patrick Dele Cole, foi investigado por envolvimento com o narcotráfico, já que tentou "interferir em processos criminais de nigerianos presos por tráfico em São Paulo", atesta o relatório.
No Brasil, o principal fornecedor de drogas da máfia nigeriana seria Dionisio Vasquez, que o relatório diz "tratar-se de um grande fornecedor das organizações criminosas nigerianas".
A CPI do Narcotráfico tem outros relatórios sobre investigações em curso sobre a máfia nigeriana, com nomes de todas as pessoas que estariam ajudando a formar a base da organização no território brasileiro, que está levando drogas principalmente para Itália, Espanha e Rússia.

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