PF desvenda esquema de João Alves
Agência Estado
A Polícia Federal (PF) descobriu a forma pela qual o ex-deputado João Alves tornava legal o dinheiro que recebia como propina de empresários que eram beneficiados por obras incluídas no Orçamento-Geral da União, quando foi relator da Comissão Mista de Orçamento. Alves montou um esquema envolvendo empresários e laranjas - pessoas que emprestam o nome para transações ilegais. As primeiras investigações - que já se arrastam há seis anos - demonstraram que, em poucos meses, o ex-deputado legalizou US$ 20 milhões obtidos de forma irregular, numa operação conhecida como lavagem de dinheiro, com a ajuda da W.S. Câmbio e Turismo, agência sediada em Brasília. A PF acredita que o esquema teria lavado US$ 1 bilhão só na capital federal.
O nome da W.S. Turismo foi formado com as iniciais de sua proprietária, a empresária Wilma Magalhães Soares. A empresária usou seus funcionários como laranjas. O nome de sua empregada, Joaquina Ribeiro dos Santos, foi utilizado para lavar US$ 1,4 milhão entre abril e dezembro de 1991.
Pelas informações obtidas pela PF, o dinheiro que estava sendo depositado nas contas da empregada foi enviado para o exterior. Em seu depoimento, Wilma negou-se a falar sobre o caso. Quem fazia a ponte entre Wilma e João Alves era o assessor parlamentar do ex-deputado, Trajano Tristão de Machado.
Um dos principais testas-de-ferro de Wilma, que também servia a João Alves, Leonel de Melo Rocha movimentou em oito meses U$ 2,6 milhões. Ele trabalhava na agência como vendedor, mas era tido como braço-direito da empresária. Na lavagem de dinheiro do ex-deputado também foram utilizados empregados da Leg-Fru, distribuidora de frutas em Brasília, controlada por Silvio Magalhães Soares Neto, que na época era marido de Wilma.
O funcionário Robson Esteves da Silva movimentou US$ 2,7 milhões entre setembro e dezembro de 1992. Esses fantasmas da Leg-Fru também tinham contas bancárias em seus nomes, que eram movimentadas e gerenciadas diretamente pelos patrões. O outro funcionário da Leg-Fru, Raimundo Nonato da Silva Coelho, em apenas quatro meses (de janeiro a maio de 1992) movimentou US$ 5,4 milhões.
Segundo as investigações da PF, Wilma chegou a usar como laranja um assessor da Câmara dos Deputados que não tinha qualquer envolvimento na história. Entre os laranjas identificados até agora, a PF descobriu cheques de Robson nominais a Trajano no valor de US$ 167 mil. O fantasma Leonel Rocha depositou US$ 908 mil nas contas de Trajano. Joaquina emitiu US$ 2,8 milhões em cheques nominais diretamente para o assessor.
A PF vai pedir que o inquérito seja anexado a outro que atualmente tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), no qual João Alves é apontado como um dos responsáveis pelo esquema de propina na Comissão de Orçamento. Segundo um delegado que teve acesso ao caso, os valores que o ex-deputado teria movimentado podem chegar a US$ 1 bilhão.
As informações levantadas pela PF desmontam completamente os argumentos do ex-deputado, de que teria ganho mais de 200 vezes na loteria, durante depoimento à CPI do Orçamento. A PF chegou às contas dos fantasmas da W.S. a partir de investigação conjunta com a Receita Federal.Investigações apontam o envolvimento da W.S.Turismo, da empresária Wilma Soares, na lavagem do dinheiro recebido como propina
Arquivo FolhaDesmentidoA Polícia Federal jogou por terra o argumento de João Alves de que tinha acertado na loteria mais de 200 vezes





