Um esquema de agilização irregular da emissão de passaportes, que contava com o apoio de um servidor público federal de uma delegacia da região, foi desmontado ontem pela Polícia Federal (PF) de Londrina. Dois agentes de turismo da cidade, que confirmaram o esquema em interrogatório, foram liberados em seguida. Pelo menos 36 documentos expedidos irregularmente foram apreendidos pelos agentes federais. O delegado-chefe da PF na cidade, Sandro Roberto Viana dos Santos, acredita que o número é muito maior.
Viana abriu inquérito para investigar o caso e vai indiciar os agentes de turismo Reginaldo Irie, 35 anos, Edcarlo Aparecido da Silva, 28, além do servidor público, por corrupção. ''Eles estariam aproveitando o problema da falta de cadernetas na Polícia Federal para arregimentar pessoas interessadas em conseguir o passaporte mais rapidamente'', relatou Santos.
Os passaportes eram legais, emitidos por um funcionário administrativo da Delegacia da PF de Maringá, conforme apurou a reportagem da Folha. Os agentes de viagem recolhiam cópias dos documentos pessoais e R$ 300,00 dos interessados. A taxa de emissão do passaporte custa R$ 89,71. Pessoas de Londrina, Assaí e São Sebastião da Amoreira e dos Estados de São Paulo e do Mato Grosso do Sul obtiveram o documento através do esquema.
Os agentes de turismo são sócios da Japan Assessoria SC, localizada na Rua Nelson Eggas, no Vale do Reno (Zona Sul). O delegado informou que a dupla confessou a montagem do esquema e indicou nomes, números de telefone e de conta correntes nas quais teriam sido efetuados pagamentos. Duas caixas de documentos foram apreendidas. Os agentes de turismo também disseram à polícia que o esquema funcionava desde novembro do ano passado. Os sigilos bancário, fiscal e telefônico dos três serão quebrados.
A emissão de passaporte é um serviço prestado exclusivamente pela Polícia Federal. Não existe a possibilidade de agilizar o serviço através de despachantes ou atravessadores. Um dos clientes da agência de turismo, que desconfiou da rapidez da emissão do documento, foi o responsável pela denúncia.
De acordo com Viana, os agentes de turismo também podem ter tido problemas anteriores com a Polícia Civil. Ele disse ainda que a emissão de passaportes já está normalizada na Delegacia da PF.

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