PF desmonta esquema de tráfico de animais
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A Polícia Federal, em parceria com o Ministério Público Federal e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), realizou ontem a Operação São Francisco. Na ação, deflagrada no Paraná, em São Paulo e em Santa Catarina, foram presas 35 pessoas suspeitas de participar do maior esquema de tráfico de animais silvestres do Brasil e um dos maiores do mundo.
Segundo a PF, 29 pessoas tiveram prisão temporária ou preventiva decretada e outras seis foram detidas em flagrante. Também foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão. A operação foi realizada em Curitiba, São José dos Pinhais, Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Florianópolis, Ribeirão Preto, Araraquara, Piracicaba, Campinas, Capivari e São Paulo capital. A Interpol cumpriria ainda ontem outros dois mandados de prisão, na Holanda e na Austrália. Nas apreensões, foram recolhidos mais de 10 mil pássaros silvestres.
O delegado Rubens Lopes da Silva, responsável pela unidade especializada em meio ambiente da PF no Paraná, informou que as investigações duraram oito meses. O esquema de tráfico internacional era de mão dupla: exemplares de espécies brasileiras eram levados para outros países e animais da Europa, África e Oceania eram trazidos para o Brasil. Na maioria dos casos, as aves eram transportadas ainda nos ovos. Os animais depois eram mantidos em viveiros clandestinos.
Segundo a PF, na região de Curitiba, um homem chamado Márcio Rodrigues coordenava um núcleo que vendia pássaros silvestres para compradores em todo o Brasil e no exterior. Os valores movimentados pela quadrilha não foram estimados, mas o delegado Lopes da Silva apontou que eram quantias milionárias. ''O Márcio fazia leilões quinzenais numa chácara na Borda do Campo (localidade de São José dos Pinhais). Das compras que apuramos, o menor valor pago foi R$ 500 mil'', disse o policial. Ele relatou que empresas eram usadas para lavar dinheiro da organização.
A PF informou que quatro funcionários do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e um ex-comandante da Força Verde colaboravam com a quadrilha. Eles teriam acobertado crimes praticados por integrantes da organização.
Os detidos responderão a processos por crimes ambientais, receptação, formação de quadrilha, falsificação de sinais públicos, tráfico de influência, crimes contra a ordem tributária e de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores.


