Marabá, PA,03 (AE) - A Polícia Federal no sul do Pará descobriu que os madeireiros da região pretendem retirar pelo menos 100 mil metros cúbicos de madeira, principalmente mogno, de uma das áreas indígenas próximas ao município de São Félix do Xingu (PA). Segundo a PF, os madeireiros chegaram a fazer um levantamento fotográfico aéreo para localizar as melhores árvores.
Para escapar da fiscalização da polícia e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a madeira seria transportada na época da seca, quando o rio está raso, e de uma forma inusitada: por meio de uma "ponte" camuflada, construída dentro do Rio São Francisco. "Eles colocam cipós e galhos de árvores no rio cobrindo depois com cascalho, permitindo o trânsito de caminhões", explica o delegado da PF Adolfo Raquel Machado.
Pelas investigações da PF vários madeireiros contrataram mateiros para fazer um levantamento terrestre da localização das melhores árvores, principalmente mogno e jacarandá. O trabalho foi feito após um sobrevôo onde foram mapeadas, com fotografias, as áreas onde estão as principais madeiras nobres da região.
Participação de índios - "As madeiras seriam cortadas da reserva indígena Trincheira Bacajá, mas não temos certeza se há a participação de índios nesse caso", ressalta o delegado Machado. Ele tem sob sua jurisdição quase todos os 38 municípios do sul do Pará. Pelo levantamento feito pela PF, a área identificada pelas madeireiras teria em torno de 100 mil metros cúbicos de madeira nobre.
A exploração florestal irregular nas áreas indígenas é comum no sul do Pará. Em alguns casos, conforme já foi constatado pelo Ibama, isso vem sendo feito com a conivência dos próprios índios, que recebem pouco pela madeira. "Uma árvore chega a custar em torno de R$ 20,00", diz Machado. A mesma madeira, depois de beneficiada, pode custar até US$ 800,00 no exterior.
Segundo o delegado, uma das pontes foi descoberta no Rio São Francisco, um dos afluentes do Rio Xingu, que divide a área indígena Apitereua de um projeto de colonização do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a 80 quilômetros de São Félix do Xingu.
Irregularidades - Uma das formas encontradas pela PF para tentar inibir a ação das madeireiras é apreender os maquinários usados na operação ilegal. Entretanto, fontes da PF confirmam que há envolvimento de funcionários do próprio Ibama em alguns casos. Segundo Machado, essa possibilidade está sendo investigada, mas ainda não foi feita nenhuma identificação de quem seriam eles.
Outra possível irregularidade que a PF está investigando é a possibilidade de madeireiros estarem comprando castanheiras - cuja exploração é proibida - como árvores mortas, o que é permitido por lei. As empresas estariam cobrindo a madeira com óleo para dar aparência de velha. Em alguns casos, a árvore é parcialmente queimada e depois vendida como se fosse derrubada há mais tempo.
As investigações serão encaminhadas ao Ibama, que deverá intensificar a fiscalização no sul do Pará. Segundo Machado, depois do período chuvoso, serão feitas operações em todas as estradas que dão acesso a áreas indígenas e projetos de assentamentos do Incra.
Também em Marabá, a PF está investiga a invasão da Fazenda Bamerindus - em processo de desapropriação pelo Incra - por posseiros que estariam sendo financiados por madeireiros e fazendeiros da região. Os posseiros não estariam interessados na terra, mas na exploração ilegal da madeira.

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