Curitiba - A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã de ontem, em Curitiba e Recife (PE), quatro advogados e um funcionário de um escritório de advocacia acusados de tentarem realizar golpes milionários contra a Petrobras e a Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás). Um sexto envolvido foi preso na tarde de ontem. Segundo investigações da PF, sob comando do advogado de Pernambuco, o grupo fraudava documentos para obter o pagamento de títulos da dívida pública das duas empresas. Só no Paraná, a Eletrobras teria sido vítima de 49 ações judiciais desse tipo, todas com valores milionários, chegando a R$ 554 milhões em uma delas. Todas as tentativas de golpe somam mais de R$ 1 bilhão.
Foram presos preventivamente os advogados Michel Saliba Oliveira, presidente da sub-seção de Curitiba e Região Metropolitana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Paraná, os advogados José Lagana e Sílvio Carlos Cavagnari e o técnico em informática João Marciano Oddpis, todos de Curitiba. O pernambucano João Bosco de Souza Coutinho, que seria o cabeça do grupo, foi detido no aeroporto de Recife, quando tentava embarcar para Curitiba.
Paulo Sampaio, que seria braço direito de Coutinho, foi preso no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais (região metropolitana), quando tentava embarcar para Recife. Segundo a PF, ele chegou em Curitiba no domingo. Ao tomar conhecimento das prisões, tentou voltar para o Estado de origem. Ele ficou detido no aeroporto, mas seria transferido ainda ontem para a Superintendência da PF, em Curitiba, onde os demais estão presos.
Os seis são acusados de formação de quadrilha, corrupção ativa, crime contra o sistema financeiro e tentativa de estelionato. Segundo a PF, há indícios de que Coutinho estaria atuando com outros grupos de outros estados com o mesmo objetivo.
A operação, batizada de ''Big Brother'' pela PF, em referência às siglas do Banco do Brasil (BB), de onde seria sacado o dinheiro dos golpes, envolveu 93 policiais. Divididos em 15 equipes, durante a madrugada e manhã de ontem, eles cumpriram 14 mandados de busca e apreensão a escritórios de advocacia e residências, além dos cinco mandados de prisão preventiva. Os mandados foram expedidos pelo juiz da 2 Vara Federal Criminal de Curitiba, Sérgio Moro, que, segundo a assessoria de imprensa da Justiça Federal, não se manifestaria sobre o caso, pois o processo corre em segredo de Justiça. Somente as partes têm acesso aos autos do processo, que contêm, inclusive, transcrições de escutas telefônicas.
A PF apreendeu computadores, vários documentos, quatro espingardas, uma escopeta e, pelo menos, US$ 50 mil, que estariam na casa de Oddpis. A polícia não sabe a origem do dinheiro.

mockup