PF desativa terceira bomba em Pitanga
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quinta-feira, 17 de setembro de 1998
Sid Sauer 
Numa operação que demorou cerca de três horas, peritos da Polícia Federal de Curitiba desativaram ontem em Pitanga (150 km ao sul de Campo Mourão) mais uma bomba-relógio preparada para explodir uma torre de transmissão de energia de Furnas Centrais Elétricas, que liga Itaipu a São Roque (SP). Foi a segunda bomba desativada esta semana na região. Na segunda-feira, um artefato semelhante foi desativado numa torre em Nova Tebas, a cerca de 30 quilômetros do local da nova bomba. Uma terceira bomba explodiu no domingo, também em Nova Tebas, derrubando uma torre de 43 metros de altura.
A bomba desativada ontem estava quase toda enterrada na base de uma torre a cerca de 100 metros da BR-487, na divisa de Pitanga com Manoel Ribas. Segundo o delegado da PF, Marco Antônio Ribeiro Coura, a semelhança da bomba com os artefatos encontrados em Nova Tebas leva à suspeita de que as três devem ter sido preparadas pelas mesmas pessoas. Desta vez, cerca de cinco quilos de um material explosivo ainda não identificado estava colocado em duas latas de leite em pó de 450 gramas e num galão de tinta de 3,6 litros. Tudo interligado por cordéis detonantes e ligados a um relógio digital comum ainda funcionando.
Marcos NegriniO trabalho para desativar a bomba demorou cerca de 2 horasAssim como no caso de Nova Tebas, a Polícia Federal ainda depende da perícia técnica para saber o tipo do explosivo e porque a bomba não explodiu. O artefato, apesar de caseiro, é considerado sofisticado e exige conhecimentos de explosivos e eletrônica. O galão de tinta com os explosivos estava enterrado junto ao único pé da torre, a uma profundidade de aproximadamente 60 centímetros. As outras duas latas menores estavam parcialmente encobertas com terra. O cordel detonante - normalmente utilizado por pedreiras - também ficava exposto. Foi através dele que a bomba foi descoberta. Junto a bomba, havia uma tesoura.
O trabalho para desativar a bomba foi cerca de uma hora mais demorado do que na segunda-feira. Os peritos da Polícia Federal, no entanto, não quiseram considerar a desativação mais difícil. Segundo eles, a posição da bomba estava mais complicada. O sistema para desativar a bomba foi o mesmo de Nova Tebas. Tudo foi feito a uma distância de mais de 50 metros da torre. Desta vez, no entanto, tudo pôde ser visto, apesar da distância, por quem passou pela rodovia. O trecho da BR-487 ficou fechado para os veículos das 11h30 até às 12h50. A energia da torre ficou desligada desde anteontem à noite.
Marcos NegriniRoecher viu a bomba há 15 dias
A torre onde estava a terceira bomba, em Pitanga, é um pouco diferente das torres de Nova Tebas. Ela é de corrente contínua, tem apenas dois condutores e não passa por nenhuma subestação - vai direto de Foz do Iguaçu a São Roque. As torres de Nova Tebas são de corrente alternada, têm três condutores e passam por duas subestações - Ivaiporã e Itaberá (SP). De acordo com técnicos de Furnas, uma eventual explosão da torre de Pitanga traria menos problemas, uma vez que a energia dela pode ser passada para a outra linha, como foi feito durante a desativação da bomba. Se as três bombas tivessem explodido de uma vez, no entanto, o prejuízo seria grande.


