A bomba que derrubou na madrugada de domingo uma torre de transmissão de energia elétrica em Nova Tebas (90 km a sudeste de Campo Mourão) era caseira, mas sofisticada. Essa é a primeira conclusão que chegaram os peritos que desativaram ontem uma segunda bomba colocada numa torre ao lado da que caiu. ‘‘A pessoa tinha conhecimentos de explosivos e de eletrônica’’, disse o instrutor de explosivos Argeu Lemos Bezerra Neto. Segundo ele, só com uma análise em laboratório poderá ser possível afirmar porque a segunda bomba não explodiu.
O artefato estava enterrado junto a um dos quatro pés da torre a uma profundidade de cerca de 80 centímetros. Eram oito quilos de um explosivo colocados em três latas de leite Ninho e em um galão plástico de óleo, suficientes para derrubar a segunda torre. A explosão se daria através de um cordel - uma espécie de mangueira explosiva - acionada por uma espoleta iniciante ligada a um relógio digital comum. ‘‘Era uma bomba relógio’’. Bezerra não quis adiantar qual foi o tipo de explosivo usado.
‘‘É uma emulsão, que não é sólida nem líquida’’, resumiu. O explosivo tem a aparência de sagu. A operação para desativação durou duas horas e foi feita a uma distância de 100 metros do local onde estava a bomba. A área foi isolada e ninguém pôde acompanhar nem de longe a operação. Bezerra não quis detalhar como foi feito o trabalho. ‘‘São técnicas que utilizamos’’, disse. Ele apenas admitiu havia risco de explosão e que ‘‘policial não é Mcgyver’’. ‘‘Isto não é cinema’’.
Durante boa parte da operação para desativação da bomba, a energia que passa pela torre teve que ser desligada. Técnicos de Furnas Centrais Elétricas admitem que nesse período é possível que tenha faltado energia para até 3% das regiões sul e sudeste do País. ‘‘Seria muito difícil desativar a bomba com a torre energizada’’, frisou Bezerra. Segundo ele, é bem provável que a bomba que derrubou a outra torre tenha o mesmo modelo da que foi desativada.
A torre derrubada pela bomba tinha 43 metros de altura e pesava 15 toneladas. Ela fica a cerca de 50 metros da torre onde a bomba não funcionou, que tem a mesma altura e peso. As duas torres podem ser vistas da BR-487, no trecho entre Iretama e Nova Tebas. A explosão abriu um buraco de aproximadamente 1,80 metro de diâmetro por mais de um metro de profundidade. O ferros da parte mais baixa da torre ficaram retorcidos.
O diretor de operações da Furnas, Celso Ferreira, disse que se a segunda bomba tivesse sido detonada mais de 15% das regiões sul e sudeste ficariam sem energia no horário de pico, entre 18 e 20 horas. O trabalho de reconstrução da torre derrubada só começou depois das 13 horas, quando a Polícia Federal concluiu a desativação da bomba. De acordo com Ferreira, a linha de transmissão deve ser reativada em 72 horas. ‘‘Antes das 18 horas de quinta-feira tudo deve estar pronto’’.
O prejuízo com a derrubada da torre é de cerca de R$ 150 mil. Apenas a torre custa em torno de R$ 60 mil. Os outros R$ 90 mil são custos da operação. Ferreira, no entanto, considera quase impossível prevenir esse tipo de atentado. No total, 80 homens trabalham no local. Ferreira admite que a explosão possa ter sido provocada por pessoas contrárias à privatização do sistema de eletricidade do País. ‘‘Mas isso tem que ser apurado pela Polícia Federal’’.

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