PF desarticula rede de pornografia infantil
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quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - A Polícia Federal (PF) deflagrou ontem, em 18 Estados e no Distrito Federal, a Operação Darknet, que retirou de circulação suspeitos de armazenar e divulgar na internet imagens de pornografia infantil, e que também são investigados por abuso sexual contra crianças e adolescentes. Ao todo, mais de 500 policiais participaram das ações que identificaram 106 pessoas envolvidas, sendo 95 no Brasil e 11 no exterior. Até o final da tarde de ontem, 51 pessoas já tinham sido presas (50 em flagrante e uma que teve o mandado de prisão expedido pela Justiça), mas durante o período de investigação, cerca de um ano, outras quatro pessoas foram detidas. Também foram cumpridos 93 mandados de busca e apreensão.
A operação foi coordenada pela PF no Rio Grande do Sul, e também ocorreu no Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Rondônia. As informações sobre suspeitos no exterior foram encaminhadas para autoridades policiais dos Estados Unidos, Colômbia, Itália, México, Venezuela, Espanha e Portugal.
No Paraná, segundo a PF, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Londrina (1), Curitiba (1), Araucária (2) e Campo Magro (2); e realizadas quatro prisões em flagrante, uma em cada cidade. Os investigados na Grande Curitiba foram encaminhados para a Superintendência da PF, no bairro Santa Cândida, na capital, e nos próximos dias eles serão transferidos para Porto Alegre. O mesmo deve acontecer com o homem preso na cidade de Londrina. Ele está detido na carceragem da PF e deve ser encaminhado para o Rio Grande do Sul nos próximos dias. Não foi divulgado o endereço e nem o bairro onde as buscas foram realizadas. A maior parte das prisões e de buscas e apreensões ocorreu em São Paulo.
De acordo com o superintendente da PF no Rio Grande do Sul, Sandro Caron, pelo menos seis crianças foram resgatadas de situações de risco de abuso ou de iminente estupro, nos Estados de Minas Gerais, Goiás e São Paulo. Num dos casos, um homem que estava com a mulher grávida chegou a relatar que iria abusar da filha depois que ela nascesse. "É algo chocante, mas ele admitiu na frente da equipe de agentes e da própria esposa. Neste e nos demais episódios conseguimos prender os investigados, mas acreditamos que outras pessoas devem ser detidas nos próximos dias porque as diligências continuam", disse o delegado.
Segundo a PF, a investigação, que durou cerca de um ano, ocorreu através do rastreamento de pornografia infantil na chamada "deep web", espaço da internet que não é acessado pelo usuário convencional e cujo conteúdo não aparece em sites tradicionais de busca. Para chegar até ela é necessário ter um programa que torna a navegação anônima, o que impede a identificação de quem manda e recebe dados da internet. "Para acessar este espaço é necessário ter um conhecimento aprofundado de informática", ressaltou.
Segundo a delegada da PF, Diana Calazans Mann, estes espaços se tornam atrativos para criminosos, desde pedófilos a terroristas e traficantes. Conforme ela, apenas as polícias norte-americana (FBI) e a inglesa (Scotland Yard) já haviam realizado este tipo de trabalho. "A PF conseguiu desenvolver ferramentas que quebraram esse paradigma e conseguimos identificar estes criminosos. Ao mesmo tempo que é triste constatar que tal crueldade é cometida por tantas pessoas, com esta nova ferramenta conseguimos identificar alvos que conseguiam se ocultar na deep web."
Entre os presos estão um seminarista, um agente penitenciário e servidores públicos. Policiais e empresários também estão sendo investigados. A delegada destaca que não existe uma idade ou um perfil específico entre os criminosos identificados. "São pessoas das mais variadas classes sociais e de diversas profissões. O que é importante destacar é que não há produção de material de pornografia infantil sem abuso sexual. É algo extremamente grave, estarrecedor", completou Diana.


