Curitiba - A Polícia Federal (PF) desarticulou ontem uma organização criminosa especializada em fraudar cartões de crédito da Caixa Econômica Federal (CEF). Segundo o delegado Luiz Augusto Pessoa Nogueira, responsável pelas investigações, o dinheiro obtido era usado na compra de produtos no exterior, principalmente nos Estados Unidos, que eram revendidos no Brasil, por valores mais baixos. Estima-se que o prejuízo aos cofres do banco nos últimos 20 meses tenha superado R$ 20 milhões. Foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva, 19 de busca e apreensão e um de condução coercitiva em Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Ao todo, 14 pessoas foram presas em Juiz de Fora (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Maringá, sendo duas mulheres e dez homens, entre 25 e 35 anos. Entre elas estão empresários e um funcionário da CEF. De acordo com Nogueira, todas moravam na cidade mineira, onde foi deflagrada a fase ostensiva. O paranaense, contudo, estava passando férias com a família.
A investigação policial foi denominada "American Dream", em referência ao sonho norte-americano de prosperidade, uma vez que os criminosos levavam uma vida ilusória com um dinheiro que não lhes pertencia. "Muitos envolvidos, até em decorrência da atividade ilícita, dos ganhos, têm empresas. Alguns possuem lojas que vendem iPhones e iPads ou filmadoras, mercadorias que costumavam trazer, outros atuavam na construção civil", contou o delegado.
Para que um cartão seja usado fora do Brasil, é preciso que seu titular contate a central de atendimento da instituição financeira e realize a "autorização para compras em viagem internacional". A suspeita é de que os criminosos se passavam pelos titulares dos cartões na hora de proceder a autorização. A investigação teve início em novembro de 2014, quando uma empresa de processamento de serviços de cartões, que até então prestava serviço para a CEF, identificou a fraude e procurou a PF. Nogueira disse haver indícios de que os produtos não tenham passado pela receita, algo que ainda será averiguado.
A PF verificou que os fraudadores atraíram funcionários do banco e aliciaram laranjas, em nome dos quais confeccionaram cartões internacionais, com limites de crédito muito acima do poder aquisitivo dos aliciados. Os presos foram encaminhados ao Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) de Juiz de Fora – com exceção do paranaense, que permanece em Maringá, à disposição da Justiça. Eles podem responder pelos crimes de falsificação de documento particular, estelionato qualificado, descaminho e contrabando, além de associação criminosa com atuação transnacional e, se comprovado, lavagem de dinheiro. As penas somadas chegam a 26 anos.

mockup