A Delegacia da Polícia Federal em Maringá recebeu anteontem quase duas toneladas de documentos e mercadorias apreendidos na semana passada pela ''Operação Hidra'', em Mato Grosso do Sul. A ação resultou na prisão de 66 pessoas 30 no Paraná e desarticulou uma das maiores quadrilhas do país, que controlava 50% de todo o contrabando e descaminho que entrava no Brasil via Paraguai. No último domingo, a Justiça Federal em Maringá prorrogou as prisões temporárias de todos os suspeitos incluindo 11 policiais rodoviários e um escrivão da Polícia Federal por 10 dias.
O material chegou num avião cargueiro e foi levado à sede da Delegacia da PF em Maringá, onde o inquérito está sendo conduzido. De acordo com a assessoria de comunicação da PF, a análise e perícia dos documentos começaram ontem com o apoio da Receita Federal.
A quadrilha, conhecida como a ''Firma'', tinha bases operacionais em cidades do Paraná, como Umuarama e Maringá, no Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo. O homem apontado como o chefe da organização, José Donizeth Balan, foi preso no Mato Grosso do Sul. Segundo a PF, ainda não existe previsão de quando ele deverá ser transferido para Maringá para ser ouvido.
Como o prazo das prisões temporárias dos suspeitos venceram no domingo, a Justiça Federal concedeu no mesmo dia prorrogação de mais 10 dias. Ainda na esfera judicial, o Tribunal Regional Federal da 4Região em Porto Alegre negou na sexta-feira pedido de liberdade provisória ao empresário Renato Pereira Jorge e ao autônomo Ademir Raimundo Jorge, ambos presos em São Paulo. O desembargador federal Élcio Pinheiro de Castro argumentou que não foram anexados ao pedido os documentos indispensáveis para análise do recurso.
A operação da PF de combate ao contrabando e descaminho foi batizada de Hidra em referência a um monstro da mitologia grega que tinha múltiplas cabeças. A organização trazia as mercadorias do Paraguai e cooptava policiais rodoviários para não fiscalizarem as carretas.

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