O delegado-chefe da Delegacia da Polícia Federal em Londrina, João do Prado, não comentou ontem as declarações feitas pela defensora do comerciante Nábio Assad Boultaif, 42 anos, preso na última semana durante a ''Operação Sucuri'' e que teria sido transferido para Londrina no último final de semana. A ação anti-corrupção realizada na região da Ponte da Amizade, na fronteira Brasil/Paraguai, entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, resultou na prisão de 38 pessoas, entre elas 22 agentes federais e quatro fiscais da Receita Federal.
A advogada do comerciante, Eliane Dávilla Sávio, 32 anos, ao contrário do que afirma a PF, assegurou que ele não corre risco de vida e que quer voltar para a cadeia de Foz e se juntar às demais pessoas detidas na operação. A advogada opinou que a transferência foi uma tentativa da polícia de isolar seu cliente e desestabilizá-lo. ''Eles (a Polícia Federal) querem achar um Cristo e isso não existe'', comentou a advogada.
Ela garantiu que tanto a defesa quanto a família e a própria Justiça não foram informados sobre a remoção de Boultaif de Foz para Londrina. Mesmo sem confirmar ou não que o comerciante está em Londrina, Prado garantiu que toda transferência de preso precisa ser oficializada e que só depois disso o procedimento é realizado.
Fronteira Após cinco meses de investigação da Polícia Federal na fronteira, 38 pessoas foram presas e indiciadas por contrabando, facilitação ao contrabando, corrupção ativa e passiva, crime de prevaricação e formação de quadrilha. Também responderão inquérito administrativo que pode resultar em exonerações. Os mandados de prisão foram expedidos pela Justiça Federal e Ministério Público Federal, que avaliaram as provas coletadas pela PF. Os defensores dos envolvidos tentam obter habeas-corpus para os detidos.

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