PF de Foz vai pedir quebra de sigilo bancário das contas de Ronaldinho
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de julho de 2000
Agência Estado De Foz do Iguaçu 
O jogador Ronaldinho, do Inter de Milão, pode ter o seu sigilo bancário quebrado pela Justiça Federal. Pedido nesse sentido será feito nos próximos dias pela Polícia Federal de Foz do Iguaçu, pela suspeita do jogador ter cometido crime de descaminho, previsto no Artigo 334 do Código Penal, cuja condenação varia de um ano a quatro anos de reclusão, e que diz respeito ao não-pagamento de tributo pela entrada de mercadoria estrangeira no País. Durante a Copa América de 1999, Ronaldinho teria feito compras na loja de produtos importados Monalisa, em Ciudad del Este, no Paraguai.
Na quinta-feira, o zagueiro e novo capitão da seleção brasileira Antônio Carlos, e o preparador físico Antonio Mello, estiveram na sede da Polícia Federal de Foz do Iguaçu, escondidos da imprensa, para prestar depoimento ao delegado Jessé Ferry, responsável pelo inquérito nímero 573/99, que apura supostas irregularidades de jogadores e integrantes da comissão t~ecnica na entrada de mercadorias no Brasil sem o pagamento de impostos devidos. Cafu e o fisioterapeuta Nilton Petrone, o Filé, também citados no inquérito, já prestaram depoimento na Polícia Federal do Rio.
O delegado Ferry está apenas aguardando a chegada do depoimento que Ronaldinho prestou à Polícia Federal carioca, em junho, para acionar a Justiça Federal. O jogador negou à Receita Federal que tivesse feito compras, mas a PF do Rio disse que ele adquiriu um relógio de 130 dólares. Se mentiu por pouco, pode estar escondendo uma compra no valor que foi noticiado à época, de 28 mil dólares, disse o delegado.
A partir do momento em que houve esse desencontro, essa contradição, vamos tentar levantar o movimento de seus cartões de crédito ou cheques naquele período, acrescentou Ferry. O delegado disse ainda que o dono da Monalisa, Chariff Hamoud, e a vendedora que atendeu Ronaldinho, em 7 de julho do ano passado, negaram à PF de Foz do Iguaçu que o jogador tivesse levado alguma coisa da loja.
Na época, a vendedora, de nome Luciana, confirmou à Agência Estado que Ronaldinho adquirira alguns relógios e canetas valiosas, mas não revelou a quantia gasta pelo jogador. O inquérito da Polícia Federal foi aberto a pedido do procurador Eduardo Rodrigues, do Ministério Público Federal, não-satisfeito com as declarações dos jogadores à Receita Federal de que voltaram de Foz do Iguaçu sem fazer compras.
No dia de folga, em meio à Copa América, Ronaldinho e Petrone seguiram de helicóptero para Ciudad del Este. Na volta, deram carona a Mello, que teria ido à Monalisa para almoçar no restaurante da casa, como salientou em seu depoimento. Cafu e Antônio Carlos foram à cidade de carro, em horários diferentes. O zagueiro contou esta semana que foi sozinho à loja, para conhecê-la e não fazia parte do grupo de Ronaldinho. Assim como Cafu, ele garantiu que não trouxe nenhuma mercadoria do Paraguai.


