Londrina – A Polícia Federal (PF) cumpriu três mandados de busca e apreensão na manhã de ontem em Londrina. As ações fazem parte de uma operação de combate à pedofilia na internet. Segundo o órgão, nove mandados já haviam sido cumpridos nos últimos dias. Uma pessoa foi presa. Como mais 17 mandados devem ser cumpridos em Londrina e região nos próximos dias, a PF não deu mais detalhes para não atrapalhar as investigações. O delegado da PF, Pedro Paulo Figueiredo, informou que mais informações serão divulgadas na próxima semana.
Há quatro meses, a Polícia Federal prendeu 27 pessoas e cumpriu 50 mandados de busca e apreensão no Paraná e outros 13 estados. Foram apreendidos computadores com materiais pornográficos envolvendo crianças, além de outros equipamentos relacionados à prática da produção do material. Nas investigações, os policiais constataram que o grupo investigado trocava informações de como abordar e persuadir crianças e adolescentes. Os suspeitos espalhavam fotos e vídeos das vítimas pela rede.
Com a ocorrência deste tipo de crime casa vez mais frequente, os pais buscam informações sobre como proteger os filhos do assédio dos pedófilos. O psicólogo e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Alex Eduardo Gallo lembra que muitos casos de pedofilia que envolvem abusos têm relação intra-familiar, ocorrem dentro de casa, mas destacou que os casos de pedofilia pela internet, em que criminosos se escondem atrás do computador, aumentam a cada dia.
Segundo os dados das principais companhias de tecnologia americanas, o Brasil está entre os países com maior incidência de denúncias por divulgação de imagens de pornografia infantil, ao lado de EUA, México, Índia, Indonésia e Tailândia.

SINAIS
Gallo alerta que o primeiro passo é ficar atento a mudança de comportamento dos filhos. "Se a criança, de repente, fica mais arredia, quieta, é um sinal de que algo pode estar ocorrendo. Por outro lado, um comportamento muito sexualizado também requer atenção", orienta.
A popularização das câmeras fotográficas usadas para conversas online, que antes se limitavam aos computadores, hoje estão presentes em tablets, celulares. "Não podemos condenar a tecnologia, mas às vezes a criança ainda não tem maturidade suficiente para usar a ferramenta", alerta. Ele recomenda que o computador fique em uma área de circulação. "Os pais não devem nunca entrar na intimidade dos filhos, mas vale um espiada de vez em quando, procurar saber quem são os amigos de bate-papo".
Gallo ressalta que muitas vezes os pedófilos se passam por crianças na internet para conseguirem uma abertura com as vítimas. O psicólogo recomenda aos pais que desconfiarem de algo, ou encontrarem algum material com os filhos expostos, por exemplo, agir com muita prudência. "Brigar não vai adiantar nada. A criança vai ficar com medo e se fechar, começar a mentir. Nessa hora a melhor coisa é um diálogo franco", aconselha. "Com todas as informações obtidas, aí sim é hora de procurar as autoridades para tomar as providências necessárias", completa. (Com Samara Rosenberger/Grupo Folha).

mockup