PF critica megaoperação
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terça-feira, 30 de novembro de 1999
Por Angela Lacerda 
Salgueiro, PE, 30 (AE) - Há um ano a Superintendência da Polícia Federal de Pernambuco (PF-PE) encaminhou ao Ministério da Justiça um projeto de combate intensivo ao plantio e tráfico de maconha no sertão pernambucano, com duração de um ano e a um custo de R$ 695 mil - quase 11 vezes menos do que a Operação Mandacaru, iniciada ontem (29) com investimentos de R$ 7,5 milhões. Além de mais barato, o projeto, sigiloso, teria uma eficácia maior do que a Mandacaru, segundo o assessor de imprensa da PF-PE, Jayme Liélson. O plano foi rejeitado
Jayme Liélson informou que o projeto da PF-PE, de novembro de 1998, previa a atuação de 90 homens, com o apoio de dois helicópteros que viriam de Brasília, de 2 de janeiro a 30 dezembro de 1999. Seriam feitas ações de "varredura" e erradicação de plantios a cada dois meses no Polígono da Maconha - como é conhecida a região com cerca de 15 municípios no sertão pernambucano - para impedir as colheitas. Dez homens da inteligência policial permaneceriam - em sistema de revezamento - durante 365 dias na região, numa ação permanente. Para a PF, essa seria uma solução simples e capaz de solucionar o problema.
Caro e com muito aparato policial - cerca de 1.500 homens de todas as polícias e Forças Armadas vindos de vários Estados - a Operação Mandacaru não convence a Polícia Federal nem em relação à sua eficiência nem quanto à necessidade de tão elevado investimento. Uma das razões do alto custo da Mandacaru, segundo Liélson, é que cada policial recebe uma diária de R$ 60 00 (para despesa com hospedagem e alimentação) e os delegados R$ 68,00.
"A Operação Mandacaru resolve o problema da maconha apenas momentaneamente", afirmou o delegado federal Francisco Martins, que coordena a parte de erradicação de plantios de maconha da Operação. "A solução é o combate intensivo para evitar novos plantios e colheitas da maconha, que tem um ciclo de quatro meses, pois somente assim os traficantes sentirão o prejuízo no bolso e deixarão de investir na droga."
Ele ressaltou que a Operação Mandacaru terá duração de dois meses e, com base na experiência da PF, prevê que dois dias depois da saída da polícia e do Exército da área, a maconha voltará a ser plantada. A última operação realizada pela PF-PE no Polígono da Maconha custou R$ 87 milhões. Em 1998 foram realizadas quatro operações a um custo total de R$ 200 mil e, em 1999, só duas ações foram feitas no combate à maconha por falta de verba. Liélson disse que nos últimos anos a PF realizou uma média de duas operações por ano ao custo de R$ 200 mil. Nessas operações, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da PF só contava com duas viaturas.


