PF controla área ocupada por índios
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segunda-feira, 23 de março de 1998
Agência Estado 
O ministro da Justiça, Íris Rezende, não atendeu pedido feito pelo governador do Espírito Santo, Vitor Buaiz (PV) de retirar a Polícia Federal da área da Aracruz Celulose, ocupada há duas semanas por índios tupiniquins e guaranis. Enquanto a Fundação Nacional do Índio (Funai) considerar necessário a Polícia Federal vai continuar ali, disse o ministro, depois de conversa com Buaiz, no Rio, durante a reunião do Conselho de Segurança Pública da Região Sudeste (Condeste).
Buaiz havia pedido ao ministro que a PF saísse do local ou não impedisse o acesso de outras pessoas a área ocupada pelos índios. Segundo ele, o ministro prometeu conversar com a direção da Funai - mas, aos jornalistas, Rezende garantiu que os policiais não vão deixar o local até que a Funai os dispense. Entendemos que os índios do Espírito Santo se transformaram em instrumento de interesses de outros, acusou Rezende, referindo-se aos sem-terra. As tribos ocuparam a área da Aracruz ao lado da reserva indígena num movimento que chamam de autodemarcação. Elas reinvindicam a ampliação da área da reserva, de 4,4 mil hectares, em 13.500 hectares. Na semana passada o ministro assinou portaria concedendo aos tupiniquins e guaranis cerca de 2.500 mil hectares. Os índios pararam a autodemarcação, mas continuam na área da Aracruz.
A grande diferença entre que os índios querem e o que foi concedido pelo governo federal e explicada pelo ministro como um problema de cálculo. É uma questão complexa: um técnico é enviado para lá e acha um tamanho, outro já pensa diferente, disse.
Buaiz considera possível, com a intermediação do governo estadual, chegar a um número entre os 13,5 mil hectares a mais reinvidicados pelos índios e os 2.500 hectares cedidos. Um número ali pelo meio seria aceito pelos índios, acredita. Se houver convicção de que a reserva pode ser ampliada, nada impede que outra portaria seja assinada, admitiu o ministro Íris Rezende.


