PF considera excessivo número de armas no Pontal
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quarta-feira, 30 de julho de 2003
José Maria Tomazela<br> Agência Estado 
Presidente Prudente, SP - A Polícia Federal considera excessivo o número de armas registradas por fazendeiros no Pontal do Paranapanema. O mapeamento dessas armas, em fase de conclusão, faz parte de uma ação especial para identificar os focos de conflitos na região e agir preventivamente.
O número levantado nos registros da PF indica que há uma quantidade grande e ''até excessiva'' de armas de uso permitido principalmente com fazendeiros, segundo o delegado-chefe, Jerry Antunes de Oliveira. Como estão dentro dos limites previstos na legislação atual, essas armas, revólveres, pistolas e espingardas de cano longo, não podem ser apreendidas. ''Mas os ruralistas foram alertados de que estaremos atentos a qualquer ação violenta'', disse. ''Espero que elas não sejam utilizadas.''
A PF, disse Oliveira, tem conhecimento da existência de armas clandestinas e mantém vigilância em possíveis rotas de entrada e pontos de comércio ilegal. Esse arsenal inclui armamento pesado, como os mostrados em reportagem sobre uma milícia armada.
''Tivemos, em passado, recente uma apreensão de armas com o mesmo potencial daquelas.'' Ele disse ter advertido representantes dos ruralistas de que eventual uso para repelir invasões desencadeará uma série de ações contra os responsáveis pelo armamento. ''Não vamos nos ater aos jagunços ou capangas.''
Os líderes de movimentos de sem-terra também serão responsabilizados em caso de confronto. ''Eles não aparecem nas invasões e colocam na frente mulheres e crianças, mas sabemos quem são.''
A PF está usando um helicóptero para monitorar os acampamentos. A aeronave é dotada de equipamentos de filmagem com alta precisão. No filme, segundo o delegado, é possível identificar com detalhes as pessoas em terra.
O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, disse desconhecer a quantidade de armas em poder dos fazendeiros. Mas confirmou que muitos adquiriram armas depois de terem suas fazendas invadidas e as famílias ameaçadas por sem-terra. Ele disse que os fazendeiros ''rezam'' para que não precisem usá-las.


