PF começa na próxima semana investigação no AC
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Edson Luiz 
Rio Branco, 02 (AE) - Uma força-tarefa da Polícia Federal (PF), formada por agentes do Setor de Inteligência, vai iniciar na próxima semana uma intensa investigação no Acre para apurar os crimes cometidos pelo esquadrão da morte, supostamente formado por policiais militares, e localizar outros cemitérios clandestinos, onde poderiam estar mais de 50 corpos de pessoas que teriam sido mortas nos últimos três anos.
Os Ministérios Públicos Estadual (MPE) e Federal (MPF) também vão reabrir os inquéritos sobre o desaparecimento do traficante José Hugo Júnior, assassino do irmão do deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), Itamar Pascoal. O deputado é suspeito de ter envolvimento na morte de Hugo Júnior e de um mecânico conhecido como "Baiano".
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara começou na madrugada de hoje a desarticular o suposto esquadrão da morte.
Depois de depor por cerca de três horas, o sargento Alex Fernandes Barros, considerado pela CPI como homem de confiança de Pascoal, foi preso por falso testemunho e acusado por mais de dez pessoas, segundo a CPI, de ter participação no narcotráfico e grupo de extermínio. Nos próximos dias, outros dez policiais, entre civís e militares, também terão a prisão preventiva decretada.
Além de Barros, que saiu algemado do auditório da Assembléia Legislativa do Acre, onde a CPI realizou a última sessão no Estado, foram presos os PMs Manoel Maria Lopes da Silva, Antônio José Braga da Silva, Reginaldo Rocha Souza e Eurico Moreira Lima. "Começamos, desta forma, a desarticular o esquema de violência de dentro da PM", afirmou o comandante da corporação, coronel Gilvan Vasconcelos. Barros, durante todo o depoimento, negou envolvimento em qualquer esquema de narcotráfico e assassinatos, mas confirmou que era ligado a Pascoal.
Antes de depor, o comando da PM havia determinado a prisão administrativa do sargento, que só foi avisado depois de receber ordem de prisão do presidente da CPI, Magno Malta (PTB-ES), mas por falso testemunho. Ele negou que estivesse na casa de Pascoal no período da morte de "Baiano", que teve as pernas e mãos serradas com motossera. Uma escuta telefônica, entretanto, desmentiu a versão do sargento.
Segundo Vasconcelos, Barros deverá ficar 30 dias na prisão, período em que também vai responder a um conselho de justificação, que deverá concluir pela expulsão dele da PM. "Já existem muitas provas contra o sargento", informou Vasconcelos. A Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre também formou uma comissão para levantar o envolvimento de policiais no crime organizado.
Segundo o procurador da República no Estado, Luiz Francisco Fernandes de Souza, que auxilia as investigações feitas pela CPI e PF, com a confirmação de alguns depoimentos secretos prestados por testemunhas, nos últimos dias, outras suspeitos poderão ser presos.
"Esperamos, pelo menos nos próximos dias, efetuar dez prisões, mas pode aumentar para 30", informou o procurador. Segundo ele, foi a partir de uma informação de testemunha, que depôs recentemente em Brasília, que a PF localizou um cemitério clandestino, ontem (01).
O procurador não descartou a possibilidade de, na área de 50 metros quadrados, atrás do Colégio Agrícola de Rio Branco, ter mais de 15 corpos. "A testemunha afirma que pode ter de nove a 15 pessoas enterradas no local", disse Souza. Hoje, peritos da Polícia Civil estavam escavando o local, uma região de difícil acesso, dentro de um bambuzal, no meio da floresta.
Provavelmente, de acordo com avaliação da polícia, as vítimas eram levadas vivas para o cemitério, onde eram mortas, depois de cavar as próprias covas.
A PF deverá começar amanhã (03) a investigar a existência de um novo cemitério clandestino, próximo de Rio Branco, descoberto a partir de informações de uma testemunha. Segundo Souza, no depoimento, a testemunha informou que os matadores eram ligados a Pascoal. "A pessoa acusou diretamente o grupo do deputado Pascoal", disse o procurador. Outros dois cemitérios - um também próximo da capital e outro num município perto de Rio Branco - estão sendo levantados pela PF.
Hoje, a bancada de oposição ao governo do Acre na Assembléia Legislativa, formada pelo PMDB, PFL e PPB, decidiu pedir à CPI do Narcotráfico que tome o depoimento de empresários de Cruzeiro do Sul (AC), acusados pela deputada estadual Naluh Gouvêia (PT) de estar envolvidos no tráfico de drogas. Segundo os deputados Vagner Sales (PMDB) e João Correia (PMDB), alguns dos acusados, ajudaram no financiamento da campanha do governador Jorge Viana (PT). "Se a CPI veio ao Acre para investigar todas as suspeitas, que também ouçam os empresários acusados pela deputada", afirmou Sales.


