PF começa a investigar máfia da saúde
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de junho de 1998
Agência Estado 
A Polícia Federal do Rio de Janeiro deve começar a investigar hoje a máfia da saúde, responsável pelo desvio de verbas dos hospitais estaduais em compra de remédios e licitações, e a suposta ligação da quadrilha com as ameaças feitas ao ministro da Sáude, José Serra, semana passada em Brasília. O ressurgimento da ação da máfia da saúde havia sido denunciado, em março, pelo Sindicato dos Médicos do Rio à Secretaria de Segurança do Estado, após um atentado e assassinato de quatro médicos que investigavam irregularidades em hospitais públicos, em 1997 e 1998.
A descoberta de uma máfia da saúde ocorreu entre 1992 e 93, após o desvio de R$ 10 milhões dos hospitais estaduais na compra de remédios e licitações. Uma sindicância descobriu o envolvimento de 73 médicos e funcionários, que receberam apenas punições burocráticas, e acabou anistiando o secretário Astor de Mello, o ex-deputado estadual José Nader e o coronel da Polícia Militar Armando Folly - considerados os autores do crime.
No início da semana, o governador Marcello Alencar (PSDB) determinou a criação da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra a Saúde Pública, dirigida pelo delegado Pedro Paulo Pinho. A delegacia ajudará a PF nas investigações sobre as ameaças denunciadas por Serra. Além disso, o delegado também ficará encarregado de investigar a máfia dos medicamentos falsificados.
Segundo o delegado Pinho, as ameaças ao ministro são o resultado das demissões e das mudanças feitas nos hospitais do Rio. Ele incomodou muita gente, disse o delegado. O policial descartou a hipótese de máfia dos medicamentos falsos ter ligações com os telefonemas ameaçadores recebidos pelo ministro. Os criminosos intimidam vítimas e testemunhas, e não o investigador, explicou Pinho.
O delegado garantiu já ter identificado parte da máfia de remédios falsos, formados por farmácias e laboratórios clandestinos. Quero apanhar o laboratório que faz a falsificação, afirmou Pinho. Estamos investigando também depósitos e farmácias que vendem remédios falsos, disse.


