Brasília, 2 (AE) - O ministro da Agricultura, Francisco Turra, anunciou há pouco, durante encontro do Fórum Nacional de Secretários de Agricultura, que vai acionar a Polícia Federal para combater o contrabando de gado no País que pode colocar em risco todo o programa nacional de erradicação da febre aftosa. Segundo Turra, apesar de ainda não estar constatado que o foco da doença recentemente detectado em Mato Grosso do Sul surgiu a partir da entrada ilegal de gado do Paraguai e da Bolívia, todas as indicações são nesse sentido. Ele disse que um esforço do governo e da iniciativa privada vem fazendo há 30 anos com gasto de US$ 1,2 bilhão não pode, de repente, ficar ameaçado pela irresponsabilidade de alguns. O secretário de Agricultura de São Paulo, João Carlos Meirelles, considerou a decissão do ministro de pedir ajuda à Polícia Federal "fundamental para que o País não seja exposto a esse risco", depois de um esforço de tantos anos para erradicar a aftosa. Ele lembrou que os seis Estados mais o Distrito Federal que compõem o cicuito Centro-Oeste e já estavam há 34 meses sem febre aftosa estão com toda a infra-estrutura voltada para medidas rígidas de controle e vigilância que não podem ser comprometidas pela entrada ilegal de gado.
Segundo Meirelles, o reconhecimento desses Estados como área livre de aftosa pela Organização Internacional de Epizootias deverá liberar as exportações num rebanho de 95 milhões de cabeças e, sem dúvida, isso terá um impacto no mercado mundial de carne. O ministro da Agricultura, por seu turno, anunciou que
depois de amanhã haverá, no ministério, reunião do Fórum Nacional de Pecuária de Corte para fazer uma análise do que ocorreu em Mato Grosso do Sul. Ele reiterou que é preciso combater o contrabando para impedir que o rebanho brasil eiro seja ameaçado, já que nos dois países vizinhos não há nenhum cuidado com vacinação, e que o ministério não tem como fiscalizar a fronteira.

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