PF apura se Igreja Universal tem empresas em paraísos fiscais
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domingo, 08 de agosto de 1999
Por Mariângela Gallucci 
Brasília, 09 (AE) - O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, pediu ao diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro Filho, que investigue se a Igreja Universal do Reino de Deus tem empresas em paraísos fiscais e se remeteu para o exterior cerca de US$ 18 milhões entre 1992 e 1994. Os dirigentes da Igreja poderiam ser denunciados pelos crimes de remessa ilegal de dinheiro ao exterior e sonegação fiscal. As informações foram veiculadas em meios de comunicação em julho. Para Brindeiro, se o inquérito comprovar as acusações, os responsáveis podem ter cometido crimes contra o sistema financeiro nacional e a ordem tributária. A Superintendência da PF em São Paulo vai apurar se a Igreja Universal do Reino de Deus é dona das empresas Investholding e Cableinvest, ambas registradas nos paraísos fiscais de Ilhas Cayman e Channel Island. Os policiais também deverão verificar se as remessas de US$ 18 milhões foram feitas por meio do Uruguai.
A informação divulgada pela imprensa é de que a TV Record do Rio de Janeiro teria sido paga com empréstimos dessas empresas. Segundo a notícia, a emissora foi comprada em nome de seis integrantes da Universal que não tinham patrimônio para adquirí-la. Na sexta-feira, Brindeiro enviou ofícios a Monteiro Filho, ao ministro da Justiça, José Carlos Dias, e à procuradora-chefe da Procuradoria da República no Estado de São Paulo, Janice Agostinho Barreto Ascari. Brindeiro pede que Janice acompanhe o inquérito.
Procurada pela Agência Estado, a assessoria do bispo Edir Macedo não informou onde seria possível encontrá-lo. O advogado Arthur Lavigne - ele defende Macedo e a Igreja Universal em alguns processos criminais - afirmou que somente poderá comentar a decisão de Brindeiro quando tiver acesso aos detalhes da investigação.


