São Paulo - A Polícia Federal (PF) desarticulou uma quadrilha acusada de uma fraude de R$ 60 milhões em pagamentos de prêmios das loterias federais. A organização criminosa usava contas correntes de pessoas com grande movimentação bancária para pulverizar o dinheiro desviado. Entre as contas estaria a do ex-jogador Edilson, o Capetinha, pentacampeão mundial em 2002, que jogou em alguns dos principais clubes do País, como Palmeiras, Corinthians e Flamengo. Ao todo, 250 policiais foram mobilizados na Operação Desventura, em ações simultâneas no Distrito Federal e em cinco Estados para prender hackers, advogados, empresários, empregados e gerentes da Caixa Econômica Federal.
Os valores dos prêmios não sacados seriam destinados ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Em 2014, ganhadores de loterias deixaram de resgatar R$270,5 milhões em prêmios de MegaSena, Loteca, Loto Fácil, Lotogol, Quina, Lotomania, DuplaSena e Timemania. Com informações privilegiadas, o esquema fazia contato com os gerentes, que se encarregavam de viabilizar o recebimento do prêmio por meio de suas senhas, validando de forma irregular os bilhetes falsos, segundo a PF. Durante as investigações, um integrante da quadrilha, de acordo com os investigadores, foi preso enquanto tentava aliciar um gerente para o saque de um bilhete de loteria de R$ 3 milhões. Meses depois de liberado pela polícia, afirma a PF, ele foi executado.
Segundo o procurador da República Hélio Telho, do Ministério Público Federal (MPF), pelo que foi apurado a participação do atacante Edilson da Silva Ferreira, de 45 anos, no esquema seria menor. "Mas ele utilizava a influência que tinha para chegar nos gerentes, de seu relacionamento pessoal, para aliciá-los a integrar o esquema", afirmou o procurador. "A partir das buscas realizadas na residência do Edilson (ontem), aparentemente, há provas mais substanciosas que já foram apreendidas", disse Telho.
Os federais também cumpriram cinco mandados de prisão preventiva e oito de prisão temporária, além de 22 mandados de condução coercitiva e 18 de buscas e apreensões no Distrito Federal, em Goiás, em São Paulo, no Paraná (um mandado, em Curitiba), na Bahia e em Sergipe.

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