PF apura fábrica clandestina de armas
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terça-feira, 16 de janeiro de 2001
Érika Pelegrino De Londrina 
A Polícia Federal do Rio de Janeiro solicitou ontem à Polícia Federal de Londrina diligências para investigar o possível funcionamento de uma fábrica clandestina de explosivos e armamentos em Londrina, de onde podem estar saindo armas para o tráfico de drogas do Rio de Janeiro. O local funciona na Rua Jundiaí, 134, no Parque Alvorada (zona oeste) e foi alugado há seis meses pelo londrinense César Senegalha Alvares, 33 anos, segundo vizinhos.
Alvares foi preso no sábado passado no Rio de Janeiro com uma carga de armamentos pesados, explosivos e granadas que estavam no bagageiro do ônibus 6.616 da Viação Garcia, linha Campo Mourão-Rio. A apreensão ocorreu durante operação de rotina da Polícia Rodoviária Federal feita 10 quilômetros antes de chegar ao Rio.
A carga era composta por 12 granadas, uma metralhadora nove milímetros de fabricação argentina, um fuzil Rugger calibre 220, dois pacotes com explosivos plásticos de gel, dois sacos de munição para revólver Magnum 357 e um saco para munição nove milímetros.
A Folha foi até a Rua Jundiaí e encontrou o local fechado. A casa tinha alarme e cortinas impediam a visão do seu interior. Uma vizinha, que não quis se identificar, afirmou que o próprio César disse que eles fabricavam explosivos e granadas ali e mexiam com metralhadoras e outras armas. Segundo a vizinha, o movimento era diário e intenso no local. Param aí carros com placas de diversas cidades da região, inclusive policiais, afirmou. De acordo com ela, outros dois homens trabalham com Alvares, mas ele é o dono do negócio.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), Robenson Máximo Fim, foi procurado pela Folha mas não foi encontrado. No 5º BPM a informação é de que todo o material bélico de uso da Polícia Militar é enviado pelo departamento de logística da PM de Curitiba.
A assessoria de comunicação social da PF no Rio de Janeiro informou que Alvares pegou o ônibus em Rolândia, onde mora atualmente, e que sua mulher Francisca Alvares foi quem embarcou o armamento. Segundo a PF, Alvares afirmou que era garçom e presidente do Clube de Tiro de Apucarana. Ele teria confessado que iria vender a carga no Rio de Janeiro.
Alvares disse ainda que era a primeira vez que vendia armas e explosivos e que tinha comprado o material de uma pessoa de Maringá. O receptador no Rio de Janeiro é o carioca Alexandre Rocha da Fonseca, 32 anos, que se apresentou como comerciante. Os dois confessaram a operação e foram levados ontem à tarde ao Presídio Ary Franco, zona norte do Rio de Janeiro.
Segundo a PF, Alvares não tem passagens pela polícia. A PF investiga a origem e destino do armamento, mas acredita ser para o tráfico de drogas já que se trata de armas pesadas e explosivos. Há quatro meses, de acordo com a PF, Alexandre da Fonseca esteve em Londrina onde comprou de Alvares R$ 10 mil em munições para fuzil calibre 762 e ficou de pagar depois.
Como o dinheiro não foi pago, Alvares teria dito em seu depoimento que desta vez levaria pessoalmente a carga para receber a dívida de Fonseca e pagar seu fornecedor. Segundo a assessoria de comunicação da PF, eles deverão responder por tráfico de armas e pegar de dois a quatro anos de prisão.
O inquérito policial foi instaurado na Delegacia de Prevenção e Repressão a Crimes Fazendários da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro.


