PF apura denúncia contra fiscais do Ibama
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terça-feira, 18 de dezembro de 2001
Erika Wandembruck<br>De Curitiba 
A Polícia Federal de Paranaguá, no Litoral do Paraná, instaurou inquérito ontem para apurar denúncias contra os fiscais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Dynei de Carvalho e Otto Kesseli Júnior, por suspeita de recebimento de propina. Segundo o delegado Evaristo Kuceki, que investiga o caso, ambos estariam recebendo dinheiro para assinar exportações ilegais de mogno pela empresa Robco Madeiras Ltda, via Porto de Paranaguá, local onde atuam. Caso seja confirmada a suspeita, eles serão indiciados por corrupção ativa. Assim que for notificado sobre o inquérito, o Ibama também vai instaurar sindicância para apurar o fato.
O delegado chegou aos suspeitos por causa de uma carta anônima que recebeu pelos Correios na última sexta-feira. No envelope havia um bilhete informando que ''o senhor Otto cobra R$ 1,00 por metro cúbico de mogno para não abrir fardo''. Segundo o delegado, ''esse bilhete, teria sido escrito por Carvalho, que admitiu que a letra é parecida com a dele.''. Na sexta-feira à noite, prosseguiu Kuceki, foram recolhidos os padrões gráficos (escritos) do acusado. ''Amanhã (hoje) vamos encaminhá-los ao Instituto de Criminalística da Superintendência Regional em Curitiba para exames grafotécnicos. A previsão é de que o laudo fique pronto em duas semanas.
Em declarações à polícia, o fiscal Kesseli Júnior, disse que ''Dinei estaria usando o nome dele para receber a propina''. Apesar de não haver provas concretas contra Otto, Kuceki desconfia de que esteja envolvido no esquema. ''Quando em 7 de dezembro apreendemos 32 contêineres com mogno no Depósito Tropical, ele esteve lá antes da gente e não achou nada. Mas quando chegamos ao local encontrou rapidamente o mogno'', concluiu Kuceki.
A empresa despachante Continental Comissária de Despachos, de Paranaguá, também estaria envolvida no crime. ''Falta agora descobrir quem é o corruptor, se é a Robco Madeiras ou a empresa despachante'', disse. O delegado pede ao denunciante que envie o bilhete original para facilitar os exames grafotécnicos.
Pelas mãos dos acusados, conforme Kuceki, passam em média um milhão de metros cúbicos de madeira por ano. ''Se eles fizerem vistas grossas para metade desse total, deixando-a ser exportada como outro tipo de madeira, já faturaram cerca de R$ 500 mil'', calculou. Caso sejam condenados, a pena é de oito anos de reclusão, além de multa.
O corte, o transporte e a comercialização do mogno está proibida em todo o País desde o dia 19 de outubro, de acordo com Instrução Normativa 17/01 do Ibama. A exportação também está proibida porque a madeira está em extinção.


