A Polícia Federal (PF) de Londrina apreendeu ontem à tarde no endereço apresentado por César Senegalha Alvares, 33 anos, como sede de um clube de tiro, uma série de cápsulas de armamento pesado, que só podem ser utilizados com autorização da Polícia Federal e do Exército. Cápsulas de calibre 9 milímetros (metralhadoras e pistolas) de 45 milímetros e de 12 milímetros (escopetas utilizadas pela Polícia Militar) foram encontradas no local, reforçando a suspeita de que a casa era utilizada como fachada para o tráfico de armas.
Segundo o delegado da PF, Pedro Paulo Figueiredo, para clube de tiro só é permitida a recarga de munição de armamentos leves: calibres 38, 22, 380, mesmo assim não poderia ser feita em uma área residencial, como a casa da Rua Jundiaí, onde o material foi apreendido. O delegado afirmou que, mesmo que não fossem encontrados materiais de armamento pesado, a situação já estaria irregular pelo local onde funcionava.
Alvares foi preso no sábado quando transportava para o Rio de Janeiro, no bagageiro do ônibus 6.616 da Viação Garcia, uma grande quantidade de armas, explosivos e granadas. Ele confessou que venderia a carga para um receptador no Rio de Janeiro, Alexandre Rocha da Fonseca. Ambos estão presos no Presídio Ary Franco, no Rio de Janeiro.
O delegado, dois policiais federais e duas testemunhas entraram na casa de posse de mandado de busca e apreensão deferido pelo juiz federal da Vara Criminal, Márcio Augusto Nascimento. Um rapaz que trabalhava há dois no clube de tiro com Alvares, e não quis se identificar, acompanhou a operação.
A polícia encontrou três cômodos da casa com material para recarga de projétil e outro com ferramentas usadas na recarga como peças para calibrar, ajustar peso, medida e máquinas, entre outras. Além das cápsulas e projéteis tanto de armamento pesado quanto próprio para clube de tiro, foi apreendida grande quantidade de estanho, pólvora, chumbo, espoleta. Também foi apreendido um cofre fechado onde, segundo o advogado de Alvares, Vilson Donizete Galvão, estão guardadas duas armas de uso próprio de seu cliente e cerca de R$ 2.400,00.
O delegado Pedro Figueiredo afirmou que ‘‘a princípio todo o material apreendido é irregular’’. Quanto aos projéteis de 9 milímetros encontrados, apesar de poucos, de acordo com o delegado, 30 a 40 deles seriam suficientes para prisão em flagrante de Alvares, se ele estivesse no local. O delegado também não descartou a possibilidade de a casa ter sido usada para a fabricação de explosivos e granadas, mesmo não tendo sido encontrados materiais químicos no local, necessários para a confecção dos artefatos.
‘‘Este material pode ter sido retirado antes de nós chegarmos’’, admitiu Figueiredo . Vizinhos disseram que dois homens que trabalhavam com Alvares – um moreno e outro loiro – teriam retirado ‘‘muitas coisas’’ da casa no sábado (quando Alvares foi preso no Rio) e também no domingo.
Também foi encontrado na casa um jornal de 16 de julho de 2000, que trazia na manchete uma matéria sobre a apreensão de revólver e fuzil AR-15 utilizado pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro. O texto destacava a facilidade de se comprar este tipo de arma no Paraguai. O delegado da PF considerou suspeito o fato de terem guardado um jornal do ano passado, principalmente pelo assunto abordado.
A assessoria de comunicação da PF do Rio de Janeiro afirmou que, apesar de Alvares não ter passagens pela polícia, ele já vendeu armas para outros receptadores no Rio de Janeiro. A assessoria afirmou ainda que o tipo de armamento encontrado com Alvares – armas pesadas, explosivos, granadas – é adquirido por traficantes de drogas no Rio.
Em seu depoimento, Alvares afirmou que compra as armas de uma pessoa de Maringá. O delegado da PF em Londrina não soube precisar a quantidade de material apreendido. Informou que tudo será submetido à perícia e um relatório do material apreendido será encaminhado para a Delegacia de Prevenção e Repressão a Crimes Fazendários da Superintendência da PF do Rio de Janeiro, onde foi instaurado o inquérito policial.

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