PF apreende documentos na casa de Chico Lopes
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Eliane Azevedo e Gustavo Alves 
Rio, 16 (AE) - O Ministério Público Federal e a Polícia Federal apreenderam hoje documentos no apartamento do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes. Oito agentes e dois delegados da PF, acompanhados do procuradores da República Bruno Caiado e Davy Lincoln, chegaram ao prédio onde mora Lopes, em Copacabana, zona sul do Rio, por volta das 11h. Eles tinham um mandado de busca e apreensão de documentos contábeis e fiscais expedido pela juíza de Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal. No apartamento, estavam a mulher do economista, Araci, e uma empregada.
Segundo amigos da família, mulher de Lopes, assustada, ligou para ele, que estava em Brasília (DF), para prestar depoimento na comissão de sindicância do Banco Central que apura a operação de socorro aos bancos Marka e Fonte-Cindam.
O ex-presidente do BC disse à mulher para receber os agentes. Como o advogado de Lopes não foi encontrado em tempo, o advogado do síndico do prédio foi chamado pela família para testemunhar a operação. Um vizinho também foi convocado pela PF como testemunha. Mais tarde, chegaram a filha e o enteado de Lopes.
O mandado de busca e apreensão no apartamento de Francisco Lopes foi o sétimo expedido pela Justiça Federal, a pedido do Ministério Público Federal, que investiga se houve favorecimento aos bancos Marka e Fonte-Cindam, na mudança da banda cambial. Ontem (15), a PF e a Procuradoria da República foram cumprir mandados de busca e apreensão nas sedes dos dois bancos e nas residências do proprietário do Marka, Salvatore Alberto Cacciola
e do presidente do Fonte-Cindam, Luiz Antônio Gonçalves. Também foram expedidos mandados para revistar as sucursais dos dois bancos em São Paulo.
A busca no apartamento de Lopes demorou oito horas. Disquetes, anotações pessoais de Lopes, cartas e pastas foram analisados um a um. Boa parte do material foi encontrado ainda em caixas trazidas na mudança de Lopes de Brasília para o Rio. Como a investigação corre em segredo de Justiça, os procuradores não quiseram dar informações sobre o conteúdo dos documentos levados.
Fontes que acompanham as investigações da Procuradoria da República confirmaram que durante a revista na residência de Cacciola, ontem, foi descoberta uma escopeta calibre 12. Os policiais federais não acharam a licença do banqueiro para o uso da arma. Foram retirados dois carrinhos com documentos do apartamento do proprietário do Marka.
A casa do presidente do Banco Fonte-Cindam, Luiz Antônio Gonçalves, foi o único local de onde nada foi retirado. Hoje, técnicos convocados pela Procuradoria Geral da República foram ao Fonte-Cindam para copiar arquivos da instituição sobre suas operações financeiras, durante os últimos dois meses. Gonçalves esclareceu que nenhum computador foi lacrado, conforme havia sido informado anteriormente pela procuradoria.


