PF apreende contêiner no Oeste do Estado
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segunda-feira, 13 de outubro de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu apreendeu, no final do mês passado, o contêiner FSCU 620.315-4 que estava desaparecido entre os dias 17 e 18 de setembro. O contêiner era de responsabilidade da Guarda Portuária da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) e estava carregado com CDs piratas. O contêiner foi recuperado no município de Céu Azul (51 km a oeste de Cascavel) e estava vazio.
De acordo com o delegado Anníbal Gaia, responsável pelo inquérito policial, estão sendo apuradas as responsabilidades pelo furto e pelo contrabando. A Polícia Federal tem prazo de 30 dias para concluir o inquérito, elucidando os fatos e identificando os envolvidos.
Este é apenas um dos 32 contêineres que desapareceram em Paranaguá nos últimos meses. De acordo com o delegado substituto da Receita Federal de Paranaguá, Carlos Alberto Kletemberg, as investigações transcorrem normalmente em caráter sigiloso. ''O desaparecimento de contêineres ocorre há algum tempo. Em conjunto com a Polícia Federal estamos identificando os responsáveis pelos desaparecimentos'', afirmou ele.
Kletemberg afirmou que a fiscalização aduaneira, da saída e verificação do processo de exportação e importação de mercadorias armazenadas em contêineres, é de responsabilidade da Receita Federal. As mercadorias são de responsabilidade do ''fiel depositário'', que pode ser tanto o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) na maioria dos casos relatados como a APPA.
Em entrevista à Folha, o superintendente do TCP, Mauro Marder, disse que a empresa estava sendo vítima de uma quadrilha especializada em roubo de cargas. O líder da quadrilha seria conhecido pelos agentes portuários, Polícia Federal e Receita Federal. Na quadrilha estariam envolvidos agentes e ex-agentes da Receita Federal, Polícia Federal e funcionários do Porto de Paranaguá.
''Não posso adiantar nada para não atrapalhar as investigações. Mas essa hipótese está sendo levada em consideração em nossas investigações. Estamos lidando com pessoas perigosas e experientes. Temos que tomar todos os cuidados para conseguir as provas necessárias antes de qualquer divulgação precipitada'', informou o delegado Kletemberg.
Em nota oficial, a Appa informou que o contêiner recuperado pela Polícia Federal estava guardado nas dependências do Pátio do Paraguay desde 18 de outubro de 2002. A guarda portuária relatou no dia 3 de outubro deste ano que o guarda Elias Rodrigues dos Santos teria sido procurado por diversas vezes por um homem que o ofereceu R$ 5 mil e uma motocicleta para a liberação do contêiner. No entanto, ele teria se negado a negociar. O fato foi levado ao conhecimento das polícias Civil e Federal e da Receita Federal. Uma sindicância interna foi aberta para apurar as responsabilidades dos servidores envolvidos.
O juiz federal substituto de Paranaguá, Marcos Canalli, informou ontem que nenhum processo sobre o desaparecimento de contêineres foi instaurado no município. O procurador Manuel Henrique, do Ministério Público Federal, segue hoje para Paranaguá. Ele vai estudar as denúncias e investigações feitas até agora sobre o caso.


