PF apreende bens de filhos de procurador da Justiça
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de setembro de 2006
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- A Polícia Federal (PF) cumpriu ontem mandados de busca e apreensão de bens móveis e imóveis de três filhos do procurador de Justiça, Dartagnan Cadilhe Abilhôa. Também foram bloqueadas as contas bancárias para evitar que fossem realizadas movimentações financeiras. Os mandados foram expedidos pela Justiça Estadual após o policial civil Ricardo Abilhôa ter sido acusado de extorsão e liberação de um dos maiores traficantes do Cartel Juarez, organização criminosa do México envolvida com tráfico de cocaína e lavagem de dinheiro. Ricardo está foragido. Com salário de investigador de polícia, ele teria comprado vários automóveis e imóveis -inclusive no Balneário Camboriú, em Santa Catarina.
Luciana e Marcelo Abilhôa, também filhos de Dartagnan, tiveram os bens apreendidos e as contas bloqueadas por pedido do Ministério Público (MP) - que suspeita que os dois eram usados por Ricardo para transferência de bens com o intuito de driblar a fiscalização da Receita Federal e da Corregedoria da Polícia Civil - que há mais de um ano investigava o caso a partir de denúncia feita pela ex-namorada de Ricardo, Renata Baroni. Em entrevista à Folha, Renata relatou em detalhes como era o comportamento de Ricardo e afirmou que o policial civil teria extorquido vários outros presos. Em um dos casos, de acordo com Renata, ele teria forjado uma prisão para tirar dinheiro do detido em um caixa eletrônico.
Foram apreendidos dois carros na operação: um deles (uma BMW) de propriedade do policial civil Ricardo Abilhôa; o outro carro era de propriedade de Marcelo Abilhôa, irmão de Ricardo. Marcelo não quis deixar que os policiais levassem o carro dele - adquirido há mais de dez anos. Ele teria usado de força contra os policiais federais e foi preso por desacato à autoridade e resistência ao cumprimento dos mandados. Os policiais levaram Marcelo para o Instituto Médico Legal (IML), onde se recusou a fazer exames toxicológicos. Ele aceitou fazer o exame de lesões corporais e o de dosagem alcoólica através da urina. Marcelo foi liberado após pagar fiança.
Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além de bloqueio de contas bancárias, do ex-policial civil Carlos Eduardo Pereira Garcia e da mulher dele. Os delegados da PF se recusaram a falar com a imprensa para evitar problemas políticos.
O procurador Abilhôa é desafeto do secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. O advogado criminalista Cláudio Dalledone Júnior, advogado da família Abilhôa, disse ontem que Marcelo foi preso por tentar defender o patrimônio dele - e que nada teria a ver com as denúncias contra Ricardo. ''Ele comprou o carro há dez anos. Ficou alterado quando viu que o carro dele seria levado'', disse. Dalledone complementou que Marcelo não é obrigado a produzir provas contra ele e poderia se recusar - como fez - a fazer qualquer exame toxicológico.
Dalledone complementou que Marcelo e Luciana nunca teriam sido usados como laranjas por Ricardo e prometeu provar isso no processo criminal. O advogado disse ainda que Ricardo Abilhôa está viajando e deverá se apresentar à Justiça tão logo o Conselho Nacional do Ministério Público dê parecer garantindo a integridade física de seu cliente. ''Ele teme pela integridade física e pela vida dele. Até por conta da conduta de algumas autoridades do Estado'', disse o advogado, sem querer nominar as autoridades. Ricardo está foragido desde dezembro do ano passado.


