Curitiba - Nem mesmo as fiscalizações constantes da Polícia Federal (PF) na fronteira com o Paraguai são suficientes para inibir o tráfico de armas. Entretanto, todas as informações que chegam (anonimamente ou não) até o serviço de inteligência da PF são checadas. Muitas vezes, são apreendidos armamentos e munições. Entre os meses de janeiro e maio deste ano, os policiais federais apreenderam 12 armas, 29,4 mil munições e 5 veículos nas abordagens táticas feitas na Fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Os dados revelam que a cada hora, oito munições são apreendidas na fronteira.
A assessoria de imprensa da PF em Foz do Iguaçu informou ontem que são feitos trabalhos periódicos de monitoramento dos veículos que transitam na fronteira para evitar o tráfico (seja de armas, seja de drogas). As fiscalizações ocorrem por amostragem. Isso significa que muitos veículos acabam atravessando a fronteira sem ser parados. Os locais mais fiscalizados são a Itaipu Binacional, o Rio Paraná e a Ponte da Amizade. O serviço de inteligência tem um trabalho feito em parceria com os demais países latino-americanos (como o Paraguai) para a troca de informações e identificação de pessoas supostamente envolvidas com este tipo de criminalidade.
A Folha divulgou ontem com exclusividade que o Paraná é apontado como a porta de entrada de armas que abastecem a criminalidade (inclusive facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho) pelos parlamentares que fazem parte da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas. O relatório final da comissão será divulgado no dia 3 de julho. ''Existe uma fiscalização na fronteira que não é suficiente para coibir a ação criminosa'', denunciou o deputado federal Eduardo Sciarra (PFL-PR), suplente da CPI do Tráfico de Armas.
A assessoria da PF em Foz do Iguaçu nega que o Paraná seja a porta de entrada através da chamada ''fronteira seca''. Portos e aeroportos brasileiros também estariam na ''mira'' dos criminosos, principalmente para o tráfico de armamento pesado (grosso calibre) como fuzis. O problema é a PF também é responsável pela fiscalização dos portos e aeroportos. Formalmente, a Folha não pôde ser informada sobre o número de policiais que fazem fiscalização em Foz do Iguaçu para coibir o tráfico de armas e de drogas. ''O efetivo a gente não pode divulgar por se tratar de informação de segurança nacional'', declarou o assessor. Ele disse que mais 50 homens estarão reforçando a fiscalização na fronteira nos próximos dias.

mockup