PF apreende 2 tonelas de cipó retirado ilegalmente de área de conservação do Acre
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segunda-feira, 05 de julho de 1999
Por Chico Araújo, especial para a AE 
Rio Branco, 06 (AE) - A Polícia Federal do Acre apreendeu no final de semana em Cruzeiro do Sul (AC), a 700 quilômetros de Rio Branco, duas toneladas do cipó unha-de-gato (ou esperaí), espécie usada pelos índios como remédio para tratar doenças de coluna. A apreensão ocorreu no Parque Nacional da Serra do Divisor, na divisa com o Peru, segundo o superintendente da PF no Estado, Alberto da Paixão Nascimento. De acordo com a PF, o cipó apreendido no Acre pertenceria à empresa Biosapiens, de São Paulo, que teria pago R$ 0,36 por quilo do produto de seringueiros e agricultores da região do Juruá. Mais oito toneladas da espécie unha-de-gato, já exportadas para São Paulo e vendidas para uma indústria identificada como Centro Flora, também serão apreendidas. A venda da planta rendeu R$ 16 mil à empresa paulista.
A Polícia Federal instaurou inquérito contra o dono da Biosapiens, Celso Ussi. De acordo com as investigações, a empresa teria se associado ao borracheiro Paulo Moura para comercializar espécies nativas do Acre, como a unha-de-gato. "Isso é biopirataria e precisamos combater essa prática", afirmou o deputado Edivaldo Magalhães (PC do B), autor da lei aprovada pela a Assembléia Legislativa do Acre que restringe o acesso de pesquisadores estrangeiros aos recursos naturais no Estado. Grupos estrangeiros atuam na área retirando essências de plantas medicinas e outras espécies nativas da região. O austríaco Rudigeir Reininghaus foi flagrado há dois anos retirando folhas, resinas de áreas e plantas medicinais para enviar a laboratórios no exterior. À época, Reininghuas distribuiu folders em inglês, espanhol e alemão com as espécies medicinais para comercialização no exterior.
A retirada de madeira e outros produtores da floresta para fins comerciais é crime previsto na Lei nº 9.605/98. Além do pagamento de multas, quem retirar essencias e plantas medicinais da Amazônia pode ser condenado a até cinco anos de prisão. No caso da Serra do Divisor, tambem conhecida como Serra do Moa, onde a Biosapiens tirou a espécie unha-de-gato, há mais uma agravante. o local é uma área de conservação nacional, o que implica aumento da pena dos envolvidos no roubo de recursos genéticos da Floresta Amazônica.
Outras espécies de alto valor medicinal como casca de jatobá, ipê-rôxo, folha-da-pata-da-vaca, unha-de-gato, canelão e catuaba também são retiradas ilegalmente da floresta do Acre, segundo o deputado Magalhães. "A biopirataria no Juruá virou um negócio rentoso", diz. Segundo o parlamentar, há hoje no Acre mais de 200 espécies identificadas e de grande valor medicinal.


